sábado, 17 de dezembro de 2011

Pai

Fui dormir. Minha mãe ficou vendo tv na sala. Subi as escadas e fui pro quarto. Fechei a porta, apaguei a luz e me deitei. A janela sem cortina mostrava a luz fraca da rua. Uma rua deserta, só havia a minha casa. E lá estava eu. Olhando pra janela. Comecei a ouvir um barulho. Batidas em baixo da minha cama. Me encolhi embaixo das cobertas. O barulho aumentava. Eu sentia as batidas. E ouvia uma respiração. Estranha. De repente, algo começou a arranhar o carpete de madeira do meu quarto. Não olhei. Então o barulho parou. Resolvi olhar. Havia um “recado”. Ele dizia: “Sua mãe já não está mais com você. Ela não está mais nesse mundo. Assinado: Pai.” Levaram minha mãe. Meu pai levou minha mãe. Ele havia morrido misteriosamente um mês antes. E ele a levou. Fui até a janela, sem me sentir mal, surpresa ou assustada. Olhei para as árvores mais distantes e senti algo atrás de mim. “Filha”. Sussurrou aquela coisa. Meu pai estava atrás de mim. Exatamente como está aí atrás de você agora.

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