quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

10 filmes para te tirar do tédio

Já é quase sexta-feira, e você já sabe o que vai fazer de noite?
Se não, eu preparei uma lista de filmes que podem te tirar do tédio. Claro, todos sangrentos e com mortes (=
P.S.: Os filmes NÃO estão em uma ordem. (Exemplo: Dos piores para os melhores)

10. Cegos por justiça (The Tortured)


Depois de terem seu filho de seis anos sequestrado e assassinado, e descontentes com o tempo de prisão do assassino, um casal decide se vingar do sequestrador e capturam o mesmo.
Durante alguns dias eles torturam de várias formas o homem, e com algumas injeções, o mantém vivo todo o tempo.
É um filme ótimo para quem gosta de ver muito sangue e cenas indigestas.

9. A mulher de preto (The woman in black)
A Mulher de Preto

Arthur Kipps foi enviado por seu escritório para regularizar os documentos de uma mansão abandonada, próximo a um vilarejo, cujas crianças morrem misteriosamente de tempos em tempos, sem que ele soubesse de nada disso. Quando começa a ter uma série de visões sinistras durante a execução de suas tarefas, inclusive uma de uma
 mulher vestida de preto, ele descobre que existe algo relacionado ao passado daquele local e decide investigar, provocando a ira dos moradores e a morte de mais vítimas. Agora, só o tempo para dizer se o seu instinto paternal irá ajudar a resolver esse perigoso e grande mistério.  

8. A mansão Masten (Salem's Lot)



Quando tinha só 9 anos Ben Mears concordou em passar a noite na macabra mansão Marsten. Para o seu infortúnio, Ben viu os corpos que foram resultado de um escandaloso pacto de assassinato e suicídio. Décadas depois ele se tornou um escritor, que volta para Jerusalem's Lot, sua terra natal, mas ainda carrega as traumáticas memórias da sua infância. Ben descobre que Richard Straker, o misterioso dono de um antiquário, e Kurt Barlow, o desconhecido sócio de Straker, pois nunca é visto, vivem agora na mansão Marsten. Logo moradores começam a desaparecer e morrer, voltando voando até as janelas dos familiares e pedindo para serem convidados a entrar. Ben e alguns outros suspeitam da terrível verdade que atingiu a cidade, algo bem profano que tem ligações com a mansão sinistra.

7.A profecia 666 (The Omen 666)



Depois que seu filho nasce morto, um diplomata americano, Robert Thorn, aceita a oferta do padre do hospital e adota uma outra criança nascida naquela noite porém não revela esse fato para sua mulher, Kathryn, para não a abalar. Kathryn nunca saberá a verdade, e o filho deles, que chamarão de Damien, será criado como se fosse de seu próprio sangue. Entretanto, alguns acontecimentos, todos aparentemente relacionados ao menino, que agora têm cinco anos, são profundamente perturbadores. Os incidentes se multiplicam, apontando para algo errado com Damien. Entra em cena a Sra. Baylock, a nova babá de Damien, que parece ter uma devoção anterior a essa criança. E aí a tragédia atinge o lar dos Thorn. Mas só mais tarde Thorn compreende a verdade: Damien não é uma criança comum, ele é o Anticristo anunciado em velhas profecias. Agora, Thorn deve fazer o sacrifício extremo para impedir que um terror indescritível atinja o mundo.

6. A colheita maldita (Children of the corn)

A Colheita Maldita

Isaac Chroner, um menino pregador, vai para Gatlin, Nebraska, e consegue que as crianças assassinem todos os adultos da cidade. Um jovem casal tem de comunicar um assassinato e vai para Gatlin, a cidade mais próxima, em busca de ajuda. Porém a localidade parece abandonada e logo eles são aprisionados, com poucas chances de escaparem vivos, pois as crianças praticam um culto que utiliza sangue humano para adubar a terra.

5. O Iluminado (The Shining)
O Iluminado

Durante o inverno, um homem é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher e seu filho. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

4. Os outros (The others)
Os Outros

Durante a 2ª Guerra Mundial, Grace decide por se mudar, juntamente com seus dois filhos, para uma mansão isolada na ilha de Jersey, a fim de esperar que seu marido retorne da guerra. Como seus filhos possuem uma estranha doença que os impedem de receber diretamente a luz do sol, a casa onde vivem está sempre em total escuridão. Eles vivem sozinhos seguindo religiosamente certas regras, como nunca abrir uma porta sem fechar a anterior, mas quando eles contratam empregados para a casa eles terminam quebrando estas regras, fazendo com que imprevisíveis consequências ocorram.

3. A filha do mal (The Devil inside)

Poster do filme Filha do Mal


Em 1989, os atendentes da emergência recebem uma ligação pelo 9-1-1 de Maria Rossi confessando que havia matado brutalmente três pessoas. 20 anos mais tarde, sua filha Isabella tenta compreender a verdade sobre o que aconteceu naquela noite. Ela viaja até o Hospital Centrino para Criminosos Insanos na Itália, onde sua mãe foi detida, para determinar se ela é doente mental ou se está possuída pelo demônio. Quando ela recruta dois jovens exorcistas para curarem sua mãe usando métodos não convencionais que combinam ciência e religião, eles se deparam com o mais puro mal, na forma de quatro poderosos demônios que possuem Maria.

Muitos foram possuídos por um; somente uma foi possuída por muitos.


2. Doce vingança ( I spit on your Grave)
Doce Vingança

Jennifer Hills é uma jovem escritora, que resolveu ir para uma sossegada cabana na mata com o objetivo de escrever seu novo livro. Sua presença logo é notada em um pequeno vilarejo próximo, o que faz com que alguns moradores resolvam lhe pregar um susto. A brincadeira vai mais longe do que deveria e faz com que Jennifer passe por atos de humilhação, incluindo tortura física e psicológica. Ela consegue escapar e, a partir de então, concentra todo seu tempo e forças para planejar sua vingança.

1. Montado na bala (Riding the bullet)
Montado na Bala

Após tentar o suicídio por causa de uma namorada que o largou, Alan Parker recebe uma surpreendente notícia: sua mãe sofreu um derrame e está internada no hospital. Alan decide então procurar uma carona para visitá-la, andando pela estrada em busca de alguém que o ajude.
Só que ele vai acabar descobrindo que isso não vai ser tão fácil, após encontrar um sujeito estranho e assustador que passa a acompanha-lo. 


E ai? Escolham seus favoritos e boa diversão. Cuidado para não molhar a cama ok?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

GO TO SLEEP



A história a seguir foi escrita por um detetive, depois de analisar vídeos de evidencias, relatos de testemunhas, e o vídeo que alegou ter assistido desenvolveu uma história.

Esta é a história.

Era tarde da noite numa típica terça-feira. Eu estava navegando na internet. Mais cedo nesse dia eu tinha tomado dois cafés grandes de uma loja local, e eu não conseguia dormir.
Depois de assistir vários e vários vídeos inúteis no Youtube, eu me deparei com um título estranho na barra de vídeos relacionados. Nenhum dos caractéres era da língua inglesa, entanto, as formas dos caracteres se pareciam com outras palavras, embora eu não conseguia decifrá-las. Estava curioso, então cliquei no vídeo.
De repente comecei a ouvir vários rangidos e gemidos vindo da minha casa. Eu me virei e peguei um taco de beisebol próximo a mim, estava pronto para uma batalha fatal.
Para minha surpresa, não havia intrusos na casa, nem qualquer sinal de arrombamento. Todas as portas também estavam trancadas. Imaginando que estava apenas ficando louco, encolhi os ombros e preguiçosamente andei de volta pro meu quarto.

Eu gastei muito dinheiro em uma banda-larga boa, então estava perplexo de que o vídeo que eu tinha clicado ainda não havia carregado. Eu impaciente, cliquei no vídeo mais quatro vezes na tentativa de o fazer carregar logo. Depois do que pareceu uma eternidade de espera, a página estava finalmente carregada. O fundo era preto e isso escondia completamente todo o texto, menos o nome de usuário de quem fez upload do vídeo e a descrição, os dois eram em vermelho. O nome de usuário era "NightmareSLUMBER" e a descrição era:

"Como ignorância sua.

Você não tem conhecimento da minha presença demoníaca em sua
vida.

Eu vou destruir tudo que você representa.

Inútil covarde.

Estou sempre observando você.

E logo você virá morar comigo...

Para sempre..."



Imaginando que isso era simplesmente idiotice de alguém com 12 anos, eu não percebi no perigo que estava me metendo. O vídeo começou com a imagem de um hospício abandonado (mais tarde descobri que era o Hospício Denbigh). A imagem era de um longo, escuro e esfarrapado corredor, ampliando  o campo visual do expectador. A parede esquerda do corredor tinha janelas separadas por colunas. O corredor era banhado por um misterioso luar, apenas interrompido pelas sombras das colunas. A escuridão do corredor era um preto absoluto, que eu nunca havia visto igual. Eu tinha a sensação de que o hospício foi rapidamente abandonado e nunca limpo.

Pelo primeiro minuto de vídeo, ele era simplesmente uma imagem estática do corredor. Não havia som, nem movimento. Aproximadamente nos 1:13 do vídeo, notei um movimento lento, mas definido, bem no final do corredor. Tinha uma postura humana, mas andou muito estranhamente. O mais notável disso, era sua cabeça diretamente apontada para o chão. A criatura acelerou progressivamente à medida que o vídeo avançava, eventualmente terminando em uma execução completa. A criatura correu de cabeça para a câmera, derrubando-a. Ao mesmo tempo, ouvi um barulho muito alto na porta. Foi apenas um, e o barulho parecia que alguém tinha acabado de correr para a porta.

Dei um pulo e peguei o bastão de novo, quando ouvi meu computador fazer um som de erro. Nesse momento o computador com a tela azul, dizendo que fechou por razões de segurança. A tela então começou a fazer nota de que um hacker desconhecido estava obtendo informações sobre meu paradeiro. Meu programa de antivírus executou um vestígio de endereço IP do hacker, e voltou com uma cidade ao norte do País de Gales, especificamente, o "hack" havia sido feito a partir de um hospício abandonado.

Então o poder acabou. Neste ponto, eu fiquei extremamente intimidado. Meus olhos encheram de água e minha respiração acelerada. Comecei a ouvir alguém gemendo de dor do outro lado da porta. Eu sabia que era um erro ir lá olhar, mas eu decidi ir mesmo assim. Quando olhei pelo olho mágico, não havia ninguém do lado de fora. Mas eu ainda podia ouvir o gemido. De forma alguma eu abriria a porta.

Eu entrei em ataque de pânico e imediatamente tentei entrar em contato com a polícia, no entanto, só dava ocupado, tanto na linha de casa, como no celular. Corri de volta para meu computador para ver se eu poderia ligá-lo a um gerador para pedir ajuda dessa maneira, quando notei que a tela do computador ainda estava ligada. Num texto gigante em vermelho em cima de um fundo preto, que dizia, "GO TO SLEEP" (VÁ DORMIR).

Um grito agudo, em seguida. Parecia que alguém estava morrendo. Corri para a cozinha e tirei duas facas de uma gaveta. Isso era real. Isso realmente estava acontecendo. Os gritos ficaram mais altos e mais desesperados. Sob os gritos, eu comecei a ouvir um fraco, mas distinto riso histérico.

Eu corri pela casa tentando descobrir o que estava acontecendo. Então, ouvi um choro vindo de um armário perto da sala do computador. Minha pele gelou quando peguei na maçaneta. Era fria ao toque. Eu devia ter dito algo, antes de abrir a porta, mas não tinha o bom senso para fazer isso. Eu abri a porta de uma vez, para ver uma garotinha, morta e ensanguentada, jogada no meu armário.

O estômago dela havia sido rasgado e suas entranhas arrancadas. Ela estava totalmente nua e completamente coberta de sangue. De repente a parede foi iluminada com uma luz vermelha. Percebi que algo foi escrito com sangue na parede.

"Você deveria ter ouvido o aviso. Hora de ir dormir."

Me virei e vi a figura no vídeo, de cabeça para baixo e tudo mais. Eu congelei de medo. Com um movimento brusco, como se eu estivesse assistindo a um vídeo que tinha pulado algumas partes, a figura torceu a cabeça e olhou para mim. Então, tudo ficou preto.

Nota do detetive:
"O corpo da vítima foi encontrado em um estado semelhante ao da garotinha no armário. Apesar de inúmeros exames de sangue, não conseguimos identificar a garota. Na verdade, devido à falta de relato de uma pessoa desaparecida, o fato de ninguém vir se apresentar para alegar seus restos mortais, ou para tentar resolver o caso de assassinato, e porque nenhum teste sanguíneo combinou com as pessoas que testamos, parece que a garotinha nunca existiu na verdade. Nós confirmamos que o "hack" veio do hospício abandonado, no entanto, não há explicação de como isso aconteceu em um espaço de tempo tão pequeno. Emitimos um mandado de prisão, mas nenhum oficial quer entrar em ruínas. A única coisa que tivemos foi a visão de uma criatura extremamente incomum e assustadora, correndo pelo hospital, alguns dias depois. No depoimento ta testemunha, observou-se uma semelhança chocante entre a face do habitante do hospício e da imagem a seguir, que foi retirada de um site cheio de
histórias de horror, com as palavras "GO TO SLEEP" (VÁ DORMIR) intitulada acima dela.

Numerosos assassinatos como este têm ocorrido desde então, e foi notado que cada uma das vítimas tinha assistido o vídeo, alguns minutos antes que o homicídio é cometido. Funcionários do YouTube tentaram remover o vídeo, no entanto, cada moderador que tenta, acaba sendo brutalmente assassinado. O caso continua sem solução."

Nota do detetive II:
Depois de pesquisar mais sobre o caso, foram feitas algumas descobertas. Primeiro, embora eu tenha sido incapaz de encontrar a fonte do vídeo, contas de última hora de vítimas do assassino tem fornecido provas suficientes para apontar a imagem usada como fundo para o vídeo. Embora esta seja uma imagem JPEG e portanto, por sua natureza é uma imagem estática, havia rumores de que, se você olhar fixamente para a imagem por muito tempo, a imagem começa a torcer e contorcer. Continue olhando, e você pode ver a criatura começando a correr em direção à câmera. Ninguém viu a imagem tempo suficiente para ver a criatura se aproximar, mas a evidência visual é o suficiente para assumir que é a mesma pessoa vista no vídeo. A imagem pode ser encontrada abaixo. Veja por sua conta e risco, pois sua vida pode estar em jogo.



Além disso, tenho procurado mais informações sobre o assassino. Para meu horror, eu encontrei um conjunto de histórias on-line sobre um "Jeff O Assassino". As histórias falam sobre um serial killer que desenvolve tendências psicóticas no início de sua adolescência, eventualmente, matando todo mundo de sua família. O aspecto mais chocante da história, é que Jeff matou suas vítimas da mesma maneira brutal, como pode ser visto com o Assassino do Hospício Denbigh, até mesmo a forma de se comunicar "GO TO SLEEP" (VÁ DORMIR), antes de assassinar suas vítimas. O aspecto mais assustador, porém, é que a imagem fornecida por Jeff O Assassino, é exatamente a mesma imagem fornecidas por testemunhas do Assassino do Hospício Denbigh, levando os investigadores a acreditarem que eles são na verdade a mesma pessoa. Para ler
mais, basta pesquisar, "Jeff the Killer" (Jeff o Assassino) on-line e ler por seu próprio risco.

O fato mais terrível de todos, porém, encontra-se em minha experiência pessoal. Depois de escrever este relatório, ouvi sons estranhos ao longo de minha casa.
Imaginando que não era nada, continuei fazendo minha pesquisa sobre Jeff. Os ruídos ficaram mais altos e mais altos. Eu procurei lá fora, pensando que talvez um pássaro estava ferido. Quando entrei, no entanto, percebi um movimento na janela. Eu imediatamente peguei o telefone e tentei ligar para a polícia, mas deu ocupado.
Preocupado, larguei o telefone e olhei para a porta, apenas para ver Jeff olhando diretamente para mim com aqueles olhos frios, mortos e horríveis, sua face desfigurada. Seu sorriso era a coisa mais estranha que eu já vi. Eu imediatamente tirei minha arma e comecei a atirar. Jeff desapareceu na noite.

Eu sei que estou em perigo, por isso tenho uma constante vigilância em torno de minha casa, para me proteger. Eu ainda vejo flashes de luzes brilhantes e ouço ruídos em torno de minha casa, junto com o riso raro, mas terrível, dos quais apenas um psicótico serial killer verdadeiro pode fornecer. Eu não sei quanto tempo vai durar até nós o pegarmos, mas, se ele continuar cometendo estes erros, então nós vamos ter uma identidade sólida e um caso hermético. Sinto que estamos à beira de pegá-lo, porque eu continuo ouvindo risadas e ruídos, e eu também estou vendo uma esfera de luz estranha à distância. Eu falei para o rádio da polícia para vir para cá, mas o rádio desligou. A luz está chegando mais perto, e eu tenho a minha arma pronta. É ele. Eu posso ver o seu rosto. Tempo
ntoujiujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujujyhjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj

Olá a todos. Meu nome é Jeff. Eu não gosto que esta história esteja sendo publicada, mas tudo bem. Como se qualquer um de vocês pudessem pegar um demônio do meu calibre. O detetive está morto. O diário acabou. E é muito divertido, porque, ao ver esse documento, eu tenho registrado o IP de cada um de vocês, e sei exatamente onde você está. Truter, eu estou indo em você primeiro.

Você não está seguro. Heh. Hahahahaha. AHAHAHAHAHAHH!

Eu acho que é hora de você dormir. :) Eu vou estar aí em breve.

Atenciosamente,

Jeffrey, o Assassino.


P.S. Wade (James) foi muito gentil da sua parte me dizer onde é sua escola. Você se acha tão inteligente e pensando que eu não sou real? Apenas espere! Eu vou estar indo em você. Claro que seguirei seus amigos em breve! Agora, por favor seja gentil e apenas VÁ DORMIR! hahahahahaha mais uma vez bla bla

Inferno em alto mar

O navio balançava ao sabor dos vagalhões cada vez mais violentos. Eu estava idiotamente vigiando, do cesto da gávea, o mar encrespado. Era uma tarefa inútil, a noite estava escura por demais, chovia bastante, o que tornava ainda mais difícil enxergar qualquer coisa perdida no oceano imenso. Confesso que estava meio amedrontado, tinha medo de despencar do cesto caso uma rajada mais forte de vento me pegasse de surpresa. Contudo, tarefa é tarefa, e eu precisava vigiar, e era só.

Meu nome é Scot, assim mesmo, um t apenas, bastante simples. Nasci numa ilha do Caribe, e meu pai foi enforcado, acusado de pirataria. Minha mãe morreu quando eu tinha apenas cinco anos, um ano após a morte de meu pai. Fui criado por meu tio Adam, que acabou sendo enforcado — também acusado de pirataria — quando eu contava doze anos. Fiquei só. Comecei a roubar para não passar fome, e aos quatorze anos acabei indo parar no navio do capitão Henry Stuart, um dos piratas mais cruéis que atuavam naquela época no mar do Caribe. O começo foi muito difícil. As piores tarefas ficam sempre a cargo dos novatos e, à noite, é difícil dormir sem ser atacado por um ou outro marujo bêbado louco por um pouco de divertimento. Confesso que passei por maus bocados, contudo, a vida errante pelos mares acabou conquistando meu espírito sonhador, e, sem perceber, tornei-me um pirata, digamos... eficiente.

Mas como me tornei um pirata não é importante. O que importa é porque abandonei a pirataria, e como descobri que no mundo existem coisas que não são explicáveis.

Naquela noite, como já mencionei, eu estava no cesto da gávea vigiando o mar escuro. Navegávamos num clipper, um navio bastante rápido e sólido. Contudo, enfrentar tempestades dentro de um navio desse tipo não é lá uma das coisas mais atrativas. O nosso barco possuía nove mastros, era alto, mas numa tempestade como aquela os vagalhões ultrapassavam facilmente a amurada, enchendo o convés de água. Mas o barco aguentava firme, e a tripulação era experiente, sabia manejar o velame com habilidade, e o nosso timoneiro era bastante habilidoso e forte. Enfim, estávamos bem, e venceríamos aquela tempestade como já havíamos vencido outras. Tempestades não representavam problema, éramos acostumados a beber rum no convés encharcado enquanto o vento fazia vergar os mastros. Enfrentávamos tempestades ao mesmo tempo em que zombávamos de Deus. Éramos piratas: homens sem fé e piedade. Vivíamos para saquear e beber. Essa era a nossa vida.

Mas naquela noite tudo mudou para sempre — pelo menos para aqueles que sobreviveram.

Lá embaixo o contramestre cuspia ordens:

— Vamos seus vermes de uma figa! Seus bastardos miseráveis! Força nesses braços! Não vamos perder uma só vela para essa tormenta do inferno!

Os marujos berravam toda sorte de xingamentos, ao mesmo tempo em que riam de suas próprias criações obscenas. Eu queria descer do cesto, sentia o mastro vergando, era difícil ficar lá em cima, suportando a ventania e a chuva forte. O contramestre gritou lá de baixo:

— Scot, seu maldito grumete imprestável! Olho à frente da proa, não quero que passe algum miserável despercebido, precisamos alimentar nossos corpos imprestáveis com o lucro daqueles miseráveis espanhóis filhos de puta!

Navegávamos sob falsa bandeira espanhola, só hasteávamos a temida bandeira negra quando era impossível aos navios mercantes a fuga.

— Estou de olho senhor! — gritei para o irritante contramestre.

O tempo parecia passar devagar, e meus dedos já estavam meio entorpecidos por causa do frio, e o vento e a tempestade pareciam piorar a cada minuto.

Correram minutos e horas, a tormenta surrando o barco, o frio aumentando, e eu entorpecido lá no cesto.

Estava mergulhado em meus pensamentos quando um raio medonho cruzou o céu escuro, proporcionando uma rápida — mas excelente — visão do mar agitado. Graças ao clarão vi outra coisa, algo grande, e estava logo à nossa frente, há mais ou menos uma milha. Esperei um novo raio para confirmar minha visão. Não demorou muito e outro cortou o céu, revelando claramente os contornos de um enorme navio logo adiante.

— Navio à frente! Gritei a plenos pulmões.

Ouvi o contramestre:

— O que seu infeliz imprestável?! Você está vendo um navio?! Ouvi direito?!

— Sim senhor — gritei.

— A que distância?

— Uma milha senhor... logo à frente.

— Seus malditos ratos, mecham-se, vamos em frente, mostrem a esses vagalhões de merda que não podem conosco, adiante! — berrou o contramestre para os marujos.

Os marujos começaram a cantar, corriam de um lado para outro, lutando para não caírem no mar revolto. Eu, lá de cima, tentava divisar a bandeira do navio — intuito impossível, naquele momento, a escuridão era completa.

— Ô do cesto... ô do cesto! — gritou o timoneiro. — Vai olhando, quando chegar perto você avisa, não quero arrebentar o casco no outro.

Meu sangue subiu para a cabeça, odiava quando me davam ordens impossíveis. Não obstante, tentei firmar a vista para tentar divisar o contorno do navio naquela escuridão absurda.

O clipper avançava rápido, balançava loucamente, jogando os homens contra a amurada. Lá de cima eu ouvia os xingamentos e as risadas insanas, pensava comigo que éramos realmente piores que o demônio.

O contramestre certamente havia pedido alguém para chamar o capitão, pois ele apareceu de repente no convés já gritando ordens com sua voz trovejante.

— Vamos seus cretinos! Querem ouro, querem mulheres?!

— Queremos senhor! — gritaram os marujos em coro.

— Então imprestáveis, mecham-se, vamos abordar esse infeliz! Ô paspalho do cesto — ele gritou me chamando. —, que navio é?

— Não sei senhor, está muito escuro — respondi já sabendo que seria xingado.

— Então trate de descobrir seu verme, como vamos abordar um navio sem saber seu porte e poderio?!

— Estou olhando senhor, estou esperando um raio...

Nesse momento um raio monstruoso rasgou o céu, clareando várias milhas adiante.

— Parece ser um galeão senhor!

— Um galeão?! — rosnou o capitão — Homens, vocês sabem muito bem o que isso significa... Ouro, prata... riquezas para o rei de Espanha! — soltou uma gargalhada sinistra. — Vamos pilhar o tesouro de Potosi! — brincou.

— Urra!! — gritaram os marujos como se estivessem possuídos por loucos demônios arruaceiros.

O clipper seguiu vencendo as ondas ferozes, lutando para não ir a pique. Estávamos muito próximos do galeão; avisei ao contramestre, ele então pediu silêncio. Em poucos minutos já era possível, do convés, divisar os contornos do outro navio. O timoneiro manobrou de forma magistral, colocando nosso costado bem junto do outro barco. Não houve nenhuma reação por parte de sua tripulação; na verdade, não havia ninguém no convés, não havia claridade, não havia sons. Não obstante, isso não preocupava o capitão e os marujos, todos estavam sedentos pelos tesouros que poderiam estar nos porões enormes. Ninguém estava pensando no destino da tripulação daquele barco, éramos piratas, homens acostumados com morte e perigos, era nossa vida, era nosso jeito de ser.

O capitão deu a ordem, os homens lançaram os ganchos munidos de cordas, e em poucos minutos estavam no convés do enorme galeão. Eu desci do cesto com dificuldade, o vento estava muito forte, e me jogava de um lado para o outro. Já no convés, corri, e, como os outros, fui para bordo do outro navio. Logo que pisei no convés do galeão ouvi o capitão gritar:

— Vasculhem tudo seus piratas do inferno! Cadê a tripulação desse navio? Encontrem o capitão, o contramestre, ou qualquer marujo imbecil que possa nos dizer o que estão transportando para a majestade!

Os homens corriam de um lado para o outro no escuro, já que haviam levado apenas algumas poucas lanternas, e estas seriam usadas para vasculhar os porões. Alguém de repente gritou:

— Ô capitão... ô capitão!

— O que foi marujo?!

— O navio não está fundeado!

— O que?! — gritou o capitão com sua voz de trovão.

— Não lançaram âncora senhor!

— Seu rato imundo! — vociferou o capitão Henry Stuart com ódio. — O navio está parado, não está se movendo... está parado como um maldito rochedo!

— Venha ver o senhor mesmo — falou timidamente o marujo.

O capitão seguiu a voz do marujo... e eu o segui. Chegamos, e, graças a luz da lanterna que o marujo segurava, vimos claramente que a âncora não havia sido lançada ao mar.

— Com os diabos do inferno! — disse o capitão exasperado. — O que segura esse navio?

Um grito terrível ecoou acima do barulho do vento. No mesmo instante um vulto enorme passou com uma rapidez incrível a dois centímetros do meu rosto. O vulto deixou para trás uma carniça terrível, que fez meu estômago revirar. A lanterna foi arrancada da mão do marujo e arremessada por cima da amurada, indo cair no mar revolto. O marujo começou a gritar:

— Meu braço! Alguém quebrou meu braço! O desgraçado quebrou meu braço...

— Cale-se marujo! — berrou o capitão — Contramestre... contramestre! — chamou. — Traga aqui uma lanterna!

— Capitão — respondeu o contramestre. —, não temos mais lanternas, esses marujos imprestáveis deixaram as lanternas caírem no mar, não são homens para superar a força desse ventinho de merda!

— Encontre uma lanterna seu paspalho de uma figa, eu quero uma lanterna aqui agora mesmo! — rosnou Henry Stuart.

— Tudo bem capitão, vou...

O navio estremeceu!

Um clarão transformou, por um instante, a noite em dia. Ouvimos em seguida, a barlavento, uma confusão de gritos e rangidos e, segundos depois, um estrondo seguido de novo clarão, dessa vez, bem mais impressionante que o primeiro. Confesso que minhas pernas fraquejaram.

— Desgraça! — gritou o capitão, ao mesmo tempo em que corria para a amurada do lado oposto para ver seu navio ardendo em chamas.

Antes mesmo de chegar a amurada percebi que havia um rombo enorme no costado do clipper, e as chamas já haviam invadido o convés. Subitamente uma série de estrondos varou a noite, e nosso navio foi atingido por — sei lá — dezenas de projéteis fumegantes. As balas atingiram os barris de pólvora que havíamos pilhado de outro galeão há alguns meses...

A explosão foi colossal!

O clipper dividiu-se em dois, e estilhaços foram lançados em nossa direção, varando os corpos de três dos marujos que assistiam conosco o terrível espetáculo.

Ouvíamos atônitos os gritos dos homens que haviam ficado no nosso navio, eles agora eram bolas de fogo pulando para o mar. Jogavam-se de qualquer jeito, buscando apagar nas águas revoltas o fogo que consumia seus corpos. Olhei para o capitão, seu rosto era uma máscara de ódio, e a claridade das chamas dava a ele um aspecto sinistro.

— Demônio! — berrou Henry Stuart com toda a força de sua garganta. Virou-se em nossa direção, seu rosto estava desfigurado pelo ódio e frustração. — Marujos! Vamos trucidar os desgraçados que fizeram isso, quero eu mesmo arrancar os olhos de cada um desses filhos do inferno! Eles estão operando os canhões, os malditos, vamos pegá-los!

Disparamos como loucos pelo convés, os rostos sujos iluminados pelo clarão de nosso navio em chamas. Em segundos estávamos no porão. Agora, a escuridão era completa.

Não encontraríamos nada naquela escuridão, éramos alvos fáceis, eles nos pegariam brincando, já que conheciam bem o navio, e estavam posicionados nos esperando. Voltamos para o convés, vários pedaços fumegantes do clipper estavam espalhados pelo piso amadeirado, pegamos alguns e retornamos ao porão.

A claridade proporcionada pelos pedaços de madeira fumegantes pouco ajudaram, mas pelo menos agora era possível encontrar as entradas com mais facilidade. Seguimos para o local onde estavam instalados os canhões. Subitamente um cheiro terrível empesteou o ar, começamos a tossir, ao mesmo tempo em que, cada um, tentava livrar-se do incômodo cobrindo o nariz com a camisa suja.

Seguíamos cautelosamente pelos corredores escuros do navio, esperando a qualquer momento o ataque.

— Apareçam seus malditos desgraçados! — o capitão gritou.

Ouvimos então o som de algo sendo arrastado e, juro: passados não mais que dois segundos, um clarão iluminou os corredores, seguido de um estrondo. Éramos bons marinheiros, sabíamos muito bem o que aquilo significava. Jogamo-nos no chão um segundo antes da enorme bola de fogo passar zunindo sobre nossas cabeças, destroçando tudo o que estava no seu caminho. Os miseráveis estavam atirando em nós, mas estavam atirando com os canhões, iriam acabar com o próprio navio! Estávamos lidando com marinheiros escandalosamente insanos e suicidas!

— Filhos da puta! — gritou o capitão, levantando-se possesso.

Todos se levantaram rapidamente. Com a confusão havíamos perdido os pedaços de madeira que estávamos utilizando para iluminar o ambiente. Estava novamente muito escuro. A fumaça havia tomado conta do porão, meus olhos lacrimejavam, meu nariz e garganta ardiam horrivelmente. Estávamos todos possessos, e queríamos destroçar os miseráveis covardes que não apareciam.

— Apareçam mise... — o capitão ficou mundo de repente.

Subitamente surgiu logo a nossa frente uma luminosidade esverdeada, flutuava. Foi crescendo rapidamente, assumindo uma forma esférica. O cheiro ficou absurdamente intenso, era impossível respirar.

— Com mil demônios! — exclamou o contramestre — Isso não é, seguramente, fogo-de-santelmo... Parece ser a luz do inferno capitão! Minha mãe dizia que era algo assim!

— Não seja estúpido — disse o capitão sem muita segurança. Confesso que isso me surpreendeu. O capitão sempre dizia tudo com muita convicção, mas agora...

A bola fosforescente crescia sem parar, quando seu corpo tocou o piso de madeira... queimou-o instantaneamente. Era um brilho bonito, e estávamos hipnotizados. Subitamente, algo em especial naquela esfera luminosa me chamou a atenção. Quando compreendi o que estava surgindo de dentro daquilo meu sangue de pirata gelou pela primeira vez na vida.

Naquela época eu já havia presenciado vários tipos de atrocidades, já havia matado mais de uma dezena de pessoas e, confesso: sentia prazer em ver o sangue escorrer dos corpos perfurados pelo metal de minha espada. Contudo, meu espírito — nem sei se tenho um — não estava preparado para aquela visão.

Meu pai estava saindo daquela bola verde! A corda ainda estava em seu pescoço! Sua língua inchada pendia frouxa de sua boca arroxeada. Algo havia arrancado seus olhos, talvez um abutre, como comumente acontece com os corpos dos pobres enforcados que ficam expostos ao ar livre — prática comum em alguns lugares. As autoridades imaginam que isso intimidará aqueles que pensam em infringir as estúpidas leis provinciais. São uns tolos, nós somos a prova da falha desse tipo de punição.

Sua pele podre havia estourado aqui e ali, revelando uma carne esverdeada. Ele tentava falar alguma coisa, mas não conseguia, pois sua língua estava muito inchada e fora da boca, e a corda apertava fortemente seu pescoço, tornando impossível a articulação de qualquer palavra. Ele conseguiu sair da bola fosforescente, veio trôpego em minha direção. Confesso que tentei sair correndo dali, mas estava estranhamente preso ao chão do navio. Ele veio se arrastando, seus pés fazendo um barulho desagradável no piso de madeira. Chegou bem perto do meu ouvido, o cheiro que ele exalava era insuportável. Senti seu hálito frio e morto, seus cabelos compridos tocaram meu rosto, queimando minha barba e pele.

Meu pai emitiu apenas um grunhido, mas eu entendi. Não sei como, mas entendi perfeitamente:

— Todos vão morrer agora.

Olhei seu rosto, ele estava se contorcendo e inchando, soltando um liquido amarelado e caindo pedaços de carne. Meu pai estava se decompondo ali, na minha frente, e seu cheiro era terrível demais para ser descrito. Tentei desviar o olhar daquilo, olhei para a direita e me deparei com o capitão, seu rosto estava lívido de pavor. Ele resmungava alguma coisa, um fio de baba escorrendo preguiçosamente de sua boca. Os outros marujos estavam igualmente terrificados, todos olhando abestalhados para algo especialmente produzido para a subjetividade de cada um. Cada um via seu próprio fantasma, e isso era o mais terrível.

Subitamente ouvi um grito horripilante! Foi como sair de um transe, olhei para a bola fosforescente, ela havia pegado um dos marujos, estava derretendo a carne do pobre infeliz, ele estava se desmanchando como queijo no fogo. Seus olhos estouraram como pipoca, e um líquido esbranquiçado começou a escorrer por sua face. O capitão se levantou e começou a caminhar em direção a bola que, agora, estava mudando a cor, assumindo, gradualmente, um tom escarlate.

O calor estava insuportável, e rajadas quentes de um vento fétido começaram subitamente. A bola estava crescendo num ritmo vertiginoso. Meu pai estava se arrastando no chão, e não passava de uma pasta fedida coberta por cabelos e vermes. Alguns marujos tentavam reagir, vencer seus próprios fantasmas; outros... enlouqueceram — gritavam e batiam a cabeça no chão até estourarem os miolos. O restante corria em direção a luz mortal e se jogavam dentro dela, sendo derretidos logo em seguida.

Comecei a procurar pela saída, precisava sair daquela loucura! Para meu azar, a pasta fétida que antes se parecia com meu pai morto grudou no meu tornozelo, tentando me segurar naquele pandemônio. Chutei, cai e esperneei. Consegui me desprender daquela monstruosidade e corri em direção ao convés. Fui seguido por mais quatro marujos que gritavam como uns possuídos. Logo atrás vinha o fantasma que cabia a cada um, e a bola — agora completamente vermelha — havia crescido a tal ponto que estava despontando no convés.

Chegamos ao convés e corremos desorientados de um lado para o outro, tal era nosso estado de terror. A imensa bola vermelha estava consumindo o navio rapidamente, e seu brilho terrível clareava o oceano revolto, dando aos vagalhões agressivos um tom avermelhado ameaçador. Estávamos encurralados e, para piorar a situação, as aberrações que nos perseguiam estavam agora no convés, e se arrastavam em nossa direção. Tentei pensar, mas era difícil, o que estava acontecendo era insano demais. Perscrutei desesperadamente o convés em busca de algo que, pelo menos, oferecesse uma esperança de fuga.... Meus olhos se depararam com um escaler.

Corri em direção ao escaler, os outros marinheiros perceberam que eu havia encontrado alguma coisa, seguiram-me. A bola, agora incandescente, já havia tomado quase todo o navio, e ele já estava dando sinais de que iria a pique muito em breve. Cheguei até onde estava a pequena embarcação, ela estava presa à amurada por uma corda grossa, tentei afrouxar o nó, contudo, não tinha forças: o desespero havia levado embora a força de minhas potentes mãos.

A massa pútrida que antes assumira a forma de meu pai estava a poucos passos de mim, um dos marinheiros começou a gritar:

— Saí! Saí... Ajudem-me seus miseráveis...

Seus gritos cessaram quando um enorme caranguejo surgiu do nada e, com pinças enormes, arrancou a cabeça do corpo do pobre infeliz. O sangue jorrou do corpo decapitado, lembrei-me então de uma fonte que havia visto na cidade do Porto. Sacudi a cabeça, tentando não me ocupar com coisas estúpidas. Voltei aos esforços de desamarrar a corda que prendia o escaler.

Os outros marinheiros se juntaram a mim, unimos nossas forças. Ouvíamos o crepitar da madeira do navio, e o chiado que a imensa bola vermelha produzia. O ar estava quente, e o cheiro de podridão estava tão forte que tentávamos prender a respiração com medo de respirar aquele ar pestilento. O navio estava afundando, e nosso desespero era tamanho que começamos — tenho vergonha de contar isso, mas, tendo em vista as circunstâncias, creio que é justificado — a chorar. Jean — um francês depravado que gostava de torturar os tripulantes dos navios que pilhávamos — lembrou-se que sempre carregava uma faca amarrada à canela direita. Apanhou a faca e, desesperadamente, começou a cortar a corda. O chiado da bola incandescente era tão alto que nossos tímpanos ameaçavam estourar.

Jean cortava a corda sem olhar o que estava fazendo, seus olhos estavam grudados numa velha que vinha trôpega em nossa direção. Ele sabia que aquilo não era a sua avó, a velha havia morrido há mais de vinte anos. Ela estava sorrindo, mostrando uma gengiva podre, vermes enormes passeavam freneticamente por seu rosto medonho. Na mão direita a aparição trazia uma tenaz ensanguentada e, pelo desespero de Jean, eu imaginei o que poderia estar passando por sua mente — o podre diabo certamente havia assassinado a avó com aquilo, e ela estava de volta para vingar-se do neto assassino.

Subitamente o infeliz soltou um grito terrível, e olhou para a mão que segurava a corda quase completamente cortada. Havia cortado um dos dedos, o sangue jorrava generosamente do ferimento. Mas o medo era maior que a dor, Jean recomeçou o que estava fazendo e, segundos depois, a corda arrebentou, soltando o escaler, que caiu no mar encrespado.

Os fantasmas estavam a poucos centímetros, desesperados, saltamos para o mar! Contudo, antes do meu corpo ultrapassar completamente a amurada, a aberração que encarnara meu pai agarrou meus pés e me puxou para dentro do que restava de navio. Berrei como um maldito possuído por uma legião de demônios insanos! Chutei com todas as forças aquela coisa terrível, meus pés estavam mergulhados naquela gosma fétida. Segurei a amurada com as duas mãos e, não sei de onde, arranjei forças para me desprender daquela coisa hedionda, caindo desajeitadamente no mar. Contudo, no desespero de me livrar daquilo, acabei quebrando a perna esquerda. Tentei nadar, mas senti que não conseguiria: pensei que estava tudo acabado, iria afundar e morrer.

Os marujos já estavam no escaler e, num lampejo de humanidade, resgataram-me. Já na embarcação, pus-me a remar freneticamente com as duas mãos, queria me afastar daquilo o mais rápido que pudesse. Os outros três piratas estavam munidos de remos, remavam tão frenéticos que era quase impossível perceber-lhes os braços!

A bola medonha consumiu num instante o que restava do grande galeão. Cresceu até atingir as nuvens, os fantasmas que nos perseguiam haviam crescido também, e estavam de pé sobre aquele corpo incandescente. Subitamente o rosto do capitão Henry Stuart apareceu bem no meio daquela esfera dos infernos... sorria. Ouvimos sua voz, mas sabíamos que não era ele:

— Marujos imprestáveis, não abandonem o barco, voltem seu putos filhos da mãe...

Tentamos não ouvir aquilo, remamos com mais frenesi ainda, nem respirávamos, tal era o pavor que havia tomado conta de nossas pobres almas condenadas! Subitamente, a bola explodiu!

A força da explosão fez nosso escaler voar, agarramo-nos à embarcação com as forças que nos restavam. A explosão produziu uma onda colossal, e seríamos engolidos por ela. Quando o escaler novamente tocou a água... veio a onda. Tudo ficou negro...

Acordei, abri os olhos e os fechei no mesmo instante, a claridade estava muito forte. Fui abrindo-os devagar, tentando acostumá-los ao novo ambiente. Sentei-me. Percebi que estava numa praia, haviam pequenos barcos ancorados há poucos metros de distância. Ouvi vozes, vários homens caminhavam em minha direção. Falavam uma língua que eu não entendia. Chegaram até mim, pegaram-me nos braços e rumaram para o casario próximo. Falavam muito rápido, ao mesmo tempo em que faziam gestos exagerados; mesmo assim, eu nada compreendia. Perguntei, em inglês, onde estava. Percebi um lampejo de compreensão no semblante de um deles.

Levaram-me até um senhor, ele sabia falar inglês. Fiquei sabendo que estava no Brasil, no Rio de Janeiro. Estava há mais de três mil quilômetros do ponto onde havíamos encontrado o galeão.

Nunca fiquei sabendo como fui parar no Rio, e também nada soube dos outros piratas que escaparam comigo. Hoje vivo em Londres. Com o que consegui com a pirataria investi em alguns negócios, e agora vivo num pequeno chalé numa rua tranquila. Nunca me casei, e preciso do auxílio de uma cadeira de rodas para me locomover. Minhas pernas foram amputadas ainda no Brasil, a gosma horrenda naquela noite fez alguma coisa com elas, apodreceram dias após meu despertar na praia.

Nunca tentei compreender o que aconteceu naquela noite no mar e, para meu próprio bem, desejo nunca compreender.

Por Anderson Cristiano