quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Jack O'Lanter

Era uma vez um bêbado chamado Jack. Esse homem vivia nas ruas e pregava peças em todas as pessoas. Vivia alcoolizado e devendo para todo mundo por causa do vício.
Um belo dia o Diabo veio até ele a fim de levá-lo embora, mas Jack era muito esperto e enrolou o Diabo e o fez desistir de levá-lo por pelo menos 1 ano.
Após esse ano a mais de vida Jack se deparou novamente com o Diabo que tentou levá-lo para o inferno, pois ele era terrível com as pessoas, mas era também muito esperto.
Jack contou uma história maluca e fez o Diabo subir em uma árvore e assim que o viu lá em cima, correu e desenhou uma cruz no tronco da árvore para aprisioná-lo lá em cima.
O diabo, vendo-se preso em cima da árvore aceitou deixar o bêbado Jack em paz pra sempre e foi-se embora para o inferno.
Mas como ninguém é imortal, um dia Jack morreu e foi bater nas portas do céu pedindo para entrar. Deus não deixou, pois ele fora um homem muito mal e ainda por cima havia feito um trato com o Diabo.
Então sem escolha Jack tentou entrar no inferno, mas o Diabo sentiu que estava na hora de se vingar por ter sido passado para trás e não o deixou entrar. Mas por razoes obvias o Diabo tinha certa “admiração” por Jack e deu de presente a ele uma lanterna em forma de abobora, para que iluminasse seu caminho até ele encontrar onde ficar para o resto de sua eternidade.
Até hoje, no dia 31 de outubro Jack pode ser visto vagando por ai com uma lanterna procurando um lugar para morar. Hoje o chama de Jack da lanterna e na sua língua natal Jack O’Lanter e se tornou o símbolo principal do Halloween.
 
 

sábado, 15 de outubro de 2011

o mosteiro de Satanas

1952, quinta feira, dia 23 de dezembro. Leonel sai de casa para passar o natal com a família no Rio de Janeiro. Nas estradas mineiras chovia como ele nunca tinha visto antes. Sozinho no carro Leonel sentiu um calafrio como se estivesse prestes a morrer. Na mesma hora ele parou o carro. Começou a sentir febre e a suar frio. Na estrada não passava um veículo e a chuva tinha apertado mais. Quase cego com a tempestade Leonel avista uma luminosidade não muito longe dali. Caminhando com dificuldade o pobre homem chega até o portão do que parecia ser um mosteiro franciscano . Ele bate na porta e grita por ajuda mas desmaia antes dela chegar.
Leonel acorda com muita dor de cabeça em um quarto escuro. Ele estava deitado numa cama simples e pela janela podia ver que a chuva não havia reduzido. Quando tentou levantar-se da cama a porta se abre e um homem alto vestido de monge entra no quarto. "Você deve deixar o mosteiro imediatamente." falou, com uma voz preocupada. "Estou doente, não podem me mandar embora deste jeito, por favor deixe-me ficar.", agonizou Leonel quase chorando. O monge não disse mais nada e se retirou do recinto. Preocupado em ter que ir embora Leonel se levanta e sai do quarto sorrateiramente. O lugar mais parecia um calabouço medieval. O coitado não sabia o que fazer. Por instinto Leonel desce as escadas da masmorra. Uma voz o chama. Ela vem de uma cela, a porta está trancada e pela pequena grade um homem magro de cavanhaque conversa com Leonel. "Amigo, você precisa me ajudar. Esses monges me prenderam aqui e me torturam quase diariamente. E eles farão isso com você também se não fugirmos logo. Por fa..."Antes do sujeito concluir o monge alto grita com Leonel. "Saia daí!!!" agarrando-o pelo braço o monge arrasta o enfermo rapaz escada acima. O pobre Leonel não tinha forças para reagir e foi levado facilmente.
Já em uma sala gigantesca repleta de monges Leonel se vê como um réu sendo julgado. O franciscano que parecia o líder falou. "Rapaz, você deve ir embora imediatamente. Foi um erro nosso tê-lo deixado entrar aqui. Sabemos do seu estado de saúde mas não podemos deixá-lo ficar". Leonel mal ouviu o homem e desmaiou novamente. O infeliz viajante acorda mais uma vez na masmorra. A porta do quarto estava aberta e Leonel sai a procura do homem que estava preso no andar de baixo. Sem vigília, ele consegue chegar até a cela do magrelo. Mal se aproxima e Leonel é surpreendido com o sujeito na pequena grade já pedindo ajuda. “Por favor, me tire daqui. Eles vão nos torturar, eles são de uma seita maligna. São adoradores de Satanás.” Tremendo como uma vara verde em dia de chuva, Leonel corre atéum pequeno depósito em busca de uma ferramenta capaz de abrir a cela. Minutos depois ele retorna com um imenso pé de cabra. Com um pouco de esforço a porta é arrombada. O sujeito magro sai correndo da cela e rindo como se uma piada hilária tivesse acabada de ter sido contada. Sem saber do que se tratava, Leonel corre também, mas dá de cara com um monge de quase dois metros de altura. “ O que você acaba de fazer, maldito?!” Rugiu o franciscano. “Me solte! Me solte seu filho de Satanás!” Gritava Leonel tentando se soltar do agarrão do monge. Com um olhar de temor e raiva o homem alto encara o pobre Leonel... “Você não sabe o que fez... sua vida está condenada agora. Você acaba de libertar o próprio Satanás. E ele fará de você o seu servo predileto. Sua alma será dele”. Logo após o monge ter terminado de falar Leonel dá um grito de pavor... seu último grito de pavor. Naquele instante o pobre e inocente viajante acaba de ter um fulminante ataque cardíaco que levou sua alma literalmente para os quintos dos Infernos, ao lado do, agora, seu eterno mestre, Satanás.

cães do inferno

Numa noite tempestuosa de l677, Sir Richard Capel, senhor de Brooke Manor, no Devon, Inglaterra, morreu. Segundo a lenda, os cães espectrais da Caçada Selvagem rondaram, furiosos, toda a noite, esperando pela sua alma. Outra versão refere que Sir Richard, conhecido por raptar jovens e mantê-las prisioneiras em Hawson Court, foi perseguido através da região de Dartmoor pelos cães do inferno até cair morto. Os cães Wisht, como também eram conhecidos em Devon, eram a matilha espectral que acompanhava a Caçada Selvagem, e dizia-se que os seus uivos eram ouvidos nas regiões mais bravas de Dartmoor. Um dos locais preferidos dos cães era a zona conhecida por bosque de Wistman, cujo nome, tal como o dos próprios animais, terá provavelmente derivado de uma palavra do Devon que significa "misterioso". O nome do bosque deve-se à solidão e aspecto sinistro dos seus carvalhos retorcidos e centenários revestidos de musgo.Para garantir que ele não "passearia" depois de morto, Sir Richard foi enterrado a grande profundidade no lado exterior do pórtico sul da Igreja de Buckfastleigh. Por cima, foi colocado um pesado altar-túmulo e uma pequena casa construída no topo. A casa tem uma grade de ferro maciço de um lado, e do outro, uma pequena porta de carvalho com um grande buraco de fechadura. Ao longo dos séculos, a lenda transformou Sir Richard num quase-vampiro, e ainda no final da década de 70 as crianças da aldeia davam 13 voltas à casa e depois desafiavam-se umas as outras a enfiar um dedo no buraco da fechadura para sentir Sir Richard a roer-lhes a ponta do dedo.Sir Richard pode ter servido de inspiração para o vilão Hugo, do romance O Cão dos Baskervilles, de Sir Arthur Conan Doyle. Conan Doyle situou a sua história em Dartmoor e ligou a lenda de Sir Richard com a ideia de um cão negro espectral, oriundo da mesma tradição mitológica que os cães do inferno. A região de Dartmoor é rica em lendas de cães espectrais. Uma delas fala de um lavrador que em certa noite escura se dirigia a cavalo para casa. Quando passava por um círculo de pedras, Foi silenciosamente ultrapassado por uma matilha de cães espectrais. Chamando o caçador que os acompanhava, pediu-lhe parte da sua caça. -Toma isto! - gritou o caçador, atirando-lhe uma trouxa. Quando o lavrador a abriu em casa, descobriu o corpo do seu filho. Esta história horrível também é contada na Alemanha, onde se diz que a Caçada Selvagem recolhe as almas de crianças por batizar. Também em Dartmoor são estas alminhas que os cães espectrais procuram enquanto correm ao longo do trilho conhecido por Caminho do Abade, aterrorizando os carneiros e os pôneis selvagens.
Cães do Inferno fazem também parte do folclore da Inglaterra onde são conhecidos por Barghest, que aparecem para anunciar a morte, e são descritos como cães negros, enormes, com grandes olhos vermelhos e incandescentes, que têm a estranha capacidade de desaparecer em um estalar de dedos. Há versões que dizem também que esses cães são responsáveis por buscar a alma das pessoas que fazem pacto com o demônio.
São seres sobrenaturais que costumam ser vistos em encruzilhadas, e são geralmente ligados ao inferno.
Relatos de Cães do Inferno surgem de vários lugares do mundo e não só na Inglaterra. Em um caso contado por Theodore Ebert, de Pottsville, na Pensilvânia, na década de 50 ele afirma que certa noite quando ainda era garoto, caminhava com alguns amigos pela estrada Seven Star e um grande cão negro apareceu do nada e ficou entre ele e o amigo. Quando foi acariciá-lo, ele desapareceu. Desapareceu em um estalar de dedos.
Em outros casos eles nem sempre são vistos como seres do mal. Na Grã-Bretanha, suas lendas contam que os cães negros apareciam às pessoas nas estradas para conduzir as mesmas, como um espírito protetor. Já na Inglaterra, ele surgia para ameaçar as pessoas ou somente para passar um prenúncio de morte.
Um dos relatos mais antigos sobre a aparição de um destes seres é contado no manuscrito francês Annales Franorum Regnum de 856 dC. Neste manuscrito é relatado que uma repentina escuridão envolveu uma igreja durante uma missa e que um grande e misterioso cão negro que soltava faísca pelos olhos apareceu e se pôs a inspecionar o recinto, como se procurasse por alguém ou alguma coisa, até que, desapareceu num piscar de olhos. Outro caso que estranhamente se passou também em uma igreja, aconteceu em 4 de Agosto de 1577, em Bongay, a cerca de Norwich, Inglaterra. Um manuscrito conta que durante uma tempestade um cão negro entrou na igreja e disparou correndo no corredor. O sombrio animal foi responsável pela morte de dois cidadãos que se encontravam no local e ainda queimou um terceiro.
Em Devorich na Inglaterra, numa noite de 1984 um homem em Devonshire, conta que avistou uma coisa preta e enorme quando andava de carro, parou bruscamente o carro e ela, à luz dos faróis, diminuiu o passo e andou na direção do carro. Diz que viu seus olhos claro feito o dia, eram verdes e vidrados, ela olhou bem na linha do capô, pois era daquela altura, e foi embora. Como uma luz que se apaga e não a viu mais. Diz que não é como um cachorro comum e que o deixou amedrontado.

a mulher de luto

A Mulher de Luto [Klage-weib] é um tipo de fantasma internacional. A expressão Klage-weib é alemã, significando "Mulher que se lamenta" e refere-se a uma mulher grande; uma aparição alemã. Quando se aproxima uma tempestade e a lua brilha debilmente, sua sombra gigantesca pode ser vista em roupas esvoaçantes e funéreas, os olhos cavernosos e o olhar congelante. Ela estende seu longo braço e chora sobre as casas marcadas pela morte que se aproxima. Mas a "Mulher de Luto" também existe South Gloucestershire, Inglaterra, assombrando o cemitério de Charfield. Na versão inglesa, ela cobre o rosto com as mãos, demonstrando sua tristeza. Em Tyrol [região entre a Itália e a Áustria], também existe uma mulher de branco cujo vulto pode ser visto nas janelas das casas prenunciando que, ali, alguém vai morrer.

o frade negro

Conta-se que na Abadia de Newstead, no condado de Norttingham, Inglaterra, lar ancestral da pitoresca família Byron, era assombrada pelo fantasma de um frade malvado que se deliciava com infortúnios alheios.
A Abadia serviu de mosteiro para os cônegos agostinianos durante quase quatrocentos anos. Mas no século XVI, irado com a oposição da Igreja Católica à anulação de sua união com Catarina de Aragão, Henrique VIII começou a confiscar os bens da Igreja e dividi-las entre alguns de seus nobres. A Abadia de Newstead coube aos Byron e ficou com a família pelos trezentos anos seguintes. O último Lord Byron a herdá-la foi ninguém menos que o dissoluto poeta romântico, George Gordon, que não só amava a propriedade como lá encontrou alimento para seus poemas no mais notável de seus vários fantasmas: o Frade Negro.

Ninguém sabe quem teria sido em vida, essa alma penada, mas alguns acreditam que sua sombra, encapuzada e de feições escuras, representava a praga da Igreja contra os usurpadores de suas Terras. Diz a Lenda que quando um membro da família morria, o monge fantasma fazia uma visita para se regozijar com a desgraça. Por outro lado, apresentava-se de cara pesarosa em ocasiões felizes. Uma aparição contrita era norma nos nascimentos e em alguns casamentos - mas não em todos. O Poeta Lord Byron asseverou ter visto o fantasma muito contente em seu próprio casamento com Annabella Milbanke, que ele qualificaria mais tarde como o acontecimento mais infeliz de toda sua vida.

os espectros de Glamis

Segundo a Lenda, a família Bowes Lyons, condes de Strathmore, é marcada por uma triste sina: muitos de seus mortos não tiveram o descanso eterno, e ainda vagam por suas Terras e Castelos. Seu lar ancestral, no condado de Angus, Escócia, é o soturno Castelo de Glamis, um edifício ameaçador que Shakespeare escolheu como cenário para Macbeth. De fato, o Rei escocês Malcon II foi morto a punhaladas em Glamis, no século XI, e consta que até hoje seu sangue ainda mancha o chão de um dos incontáveis aposentos do Castelo.
Entre os muitos fantasmas de Glamis, encontram-se uma senhora de cinza que dizem ter sido morta quando caiu na grande lareira do Salão Principal durante um Bai
le, um garotinho negro que foi espancado até a morte por seu então patrão e um Conde de Strathmore que supostamente teria perdido sua alma ao Diabo
durante um jogo de cartas. Também se acredita que mora no Castelo uma sombra de uma criança terrivelmente deformada, trancafiada pela família num aposento secreto

O Holandês Voador

No noite do dia 11 de julho de 1881, perto da Costa de Melbourne na Austrália, os vigias do castelo de proa do HMS Inconstant anunciaram a aproximação de um barco a bombordo. Todos os 13 tripulantes, dentre eles os Oficiais foram até às amuradas para ver o recém-chegado. De acordo com os diários de bordo de dois aspirantes reais que estavam a bordo, o príncipe George (depois Rei George V) da Inglaterra e seu irmão, príncipe Albert Victor, emanava do barco uma "estranha luminosidade vermelha como a de um navio fantasma todo iluminado". Seus "mastros, vergas e velas sobressaíam nitidamente". Todavia, instantes depois, "não havia nenhum vestígio de algum barco de verdade".
As testemunhas achavam que haviam visto o Holandês Voador, o lendário navio fantasma que aterrorizou marinheiros durante séculos. A Lenda seria algo assim: apesar de todas as súplicas de sua tripulação, um Capitão Holandês insistiu em atravessar o Cabo Horn (próximo ao Estreito de Drake) em meio a violente tempestade. Então o Espírito Santo apareceu, mas o satânico Capitão disparou sua pistola e amaldiçoou o Senhor. Por sua blasfêmia, Deus lhe rendeu uma maldição, o barco foi condenado a navegar por toda a eternidade, sem nunca poder parar em um porto. Desde então, os marinheiros dizem que um encontro com o Holandês Voador é um prenúncio de desastre.
Assim foi para o HMS Inconstant. Os diários dos membros da família real registram que mais tarde, naquela mesma manhã, um desventurado vigia caiu da trave do mastro principal e ficou "inteiramente despedaçado". E, ao chegar ao porto de destino, o Almirante do barco foi acometido de uma doença fatal. Mera coincidência ou será a Maldição do Holandês Voador?

A mensageira da morte


Dizem que nas ruínas do Castelo de Berry Pomeroy, no sul da Inglaterra, existem vários fantasmas, entre eles o de uma bela jovem, condenada por sua própria crueldade. Chamava-se Margaret, filha de um dos primeiros Barões de Pomeroy. A jovem ficou grávida do próprio pai e estrangulou a criança ao nascer. Depois de morta, alega-se que seu fantasma pressagiava a morte de um Pomeroy ou de criados da casa.
Entre os muito que dizem tê-la visto está Sir. Walter Farquhar, um eminente médico do final do século XVIII. Estava ele no Castelo cuidando da mulher enferma do administrador da família, quando viu de repente uma jovem belíssima parada á sua frente. Ela se virou e sumiu pelo corredor, em direção à escada. Ele a viu claramente, iluminada pela luz que vinha de um vitral, antes que desaparecesse num dos aposentos do andar superior.
No dia seguinte, Sir. Walter perguntou ao administrador quem era a bela jovem que havia visto. Para imensa surpresa do médico, o homem se pôs a chorar, dizendo que a visita signifocava que sua mulher estava à morte. Aí contou que Margaret assassinara seu bebê no cômodo logo acima e que desde sua morte começara a anunciar as mortes no Castelo; ela já anunciara a do filho do administrador. O médico garantiu-lhe que sua mulher estava se recuperando e que não fazia sentido tal história. O homem ficou muito nervoso e mesmo com a certeza do médico de que ela estava fora de perigo, ela calmamente morreu na manhã seguinte.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

não durma

Samira sempre teve pesadelos. Sempre. Moradora de Israel, ela achava que as guerras freqüentes em seu país fossem a razão deles. Porém, aos catorze anos, ela se mudou para Londres. E foi então que os pesadelos começaram a ficar piores. Toda noite, assim que fechava os olhos, uma criatura lhe aparecia em sua cabeça. Era de forma humana, mas completamente careca, não tinha olhos e sua boca estava costurada em um pavoroso sorriso. Era o seu guia; um dos muitos daquele lugar. E por incrível que pareça, era quem lhe fazia se sentir segura quando caminhava pela terra assustadora dos pesadelos.
A terra era cheia de gritos, horrores e ranger de dentes. Demônios sorriam enquanto espancavam pessoas. Havia cidades, como as nossas, destruídas, onde havia gente ferida correndo e implorando por suas vidas. E pior de tudo, havia o palhaço que dançava e parecia ser o único a se divertir de verdade naquela terra.
Era um palhaço incomum, é verdade. Tinha pernas de bode e a cara pintada como os palhaços.
- Eles vêm pra cá, por que merecem estar aqui – dizia ele à Samira – Mas você não merece estar aqui. Não quer vir pra cá, então não durma!
Samira sempre acordava em prantos. Freqüentou os melhores psicólogos, participou das melhores terapias, mas nada a impedia de ver seu guia e o palhaço quando dormia. Aquilo a apavorava e causou seus problemas de relacionamento. Era uma pessoa tristonha, que quase não se comunicava e estava sempre na companhia de remédios que a mantivesse acordada. Não valiam muito.
Certa noite dormiu e voltou a seguir seu guia.
- Por que sempre está rindo, se não é feliz? – perguntou ela.
O guia virou sua cara sem olhos para ela, mas nada falou. Era impossível para ele falar. Voltaram a andar no meio do caos, mas, poucos minutos depois, o guia desapareceu.
- Cadê você?
Novamente, não houve resposta. Ela começou a andar, chorando, pois tinha medo. Muito medo. Queria acordar, dizia a si mesma que era apenas um sonho, mas não conseguia acordar.
Ouviu passos. Toc, toc, toc, no asfalto da rua por onde andava. Cascos. Logo o palhaço com pernas de bode apareceu. E ria.
- Boa notícia – disse ele – Você merece vir pra cá. Vou te levar pra um passeio comigo pela minha terra.
Mas Samira correu. Seus cabelos negros e lisos voavam na noite enquanto o toc toc dos cascos a seguia. E ele assobiava, e ria, e chamava seu nome. Até que, cansada, ela caiu. O palhaço então se aproximou, gargalhando.
- Deixe-me ver esses braços.
Com suas unhas, ele cortou os dois pulsos da menina.
- Pra você vir mais rápido, amorzinho. Você tem uma missão, merece vir pra cá.
Ao ver aquele sangue escorrendo, ela gritou. E fazendo isso, acordou.
Respirou aliviada.
Mas então viu o lençol cheio de sangue. Seus pulsos estavam cortados.
Desesperada, chamou os pais. Samira foi levada a um hospital, onde deram pontos em seus pulsos. Os ferimentos foram interpretados como tentativa de suicídio. A assistência social e a polícia interrogaram seus pais, vasculharam a casa, pois ninguém acreditava que um palhaço com pernas de bode a ferira em um pesadelo.
Samira estava decidida a não mais dormir. Não queria mais voltar àquela terra onde as pessoas sofriam, onde via vultos, espíritos que riam e demônios que se divertiam. Tudo eram sorrisos naquele mundo. E os sorrisos só vinham de quem praticava o mal, pois era divertido causar dor. Por isso ela nunca mais riu.
Samira estava mudada. Cansada, mais magra, adepta de remédios com apenas dezoito anos. Não tinha fôlego pra universidade, apesar de muito inteligente.
Certo dia viu o palhaço em sua cozinha. Estava sonhando acordada.
- Vou esfaquear seus pais – ele disse, passeando em volta do fogão – e vai ser divertido. Você tem problemas, vão colocar a culpa em você. Vai ser divertido, não vai?
Samira chorou. Subiu para o banheiro, abriu o armário de remédios e engoliu três potes de pílula. Fechou os olhos na banheira e nunca mais acordou.
Seus pais pensaram que a filha depressiva finalmente fora bem sucedida em sua tentativa de suicídio e se culparam. Mas concordaram que ela finalmente estava em paz.

Ledo engano.

Estou no mundo dos pesadelos agora, com medo. Trancado em um quarto, com alguma criatura estranha arranhando a porta na tentativa de entrar. Tenho medo. O palhaço diz que mereço estar aqui, pois vim para escrever o que vejo da minha janela.
E da minha janela vejo espíritos que brincam. Vejo mortos que andam; alguns até conhecidos meus. E vejo Samira. Ela veio me contar sua história há alguns dias agora que vaga pela terra dos pesadelos. Era bonita da primeira vez que a vi, mas depois me apareceu careca e nua pedindo que eu a ajudasse. Não podia fazer nada; expliquei que eu aparecia ali apenas quando dormia e não conseguia sair do quarto.
Alguns dias depois eu a vi sem seus olhos.
- Eu quero ver – ela gritava em pânico – preciso da luz, da luz...
Logo depois ela me apareceu novamente com a boca costurada num insano sorriso eterno. Nunca mais falou.
Mas isso faz muito tempo.
Hoje ela anda por aí, de qualquer jeito, acompanhando crianças que por alguma razão vão parar nessa terra e confiam nela como um guia. As crianças não sabem, mas confiam nela por que ela já esteve em seus lugares um dia. Mas duvido que hoje Samira se lembre de quem foi. Pra mim ela já esqueceu e se acostumou a ser mais uma criatura dessa terra terrível.
Eu quero ir embora.
Não mereço estar aqui descrevendo toda essa dor.
Só posso dar um conselho... Não durma!

Toc... Toc... Toc... Por que ele sempre tem que aparecer quando fecho os olhos?

senhora nada amistosa

Em uma daquelas noites chuvosas, na fazenda "Buritis" município de Brasília de Minas/MG, um caso muito estranho chamou a atenção dos moradores daquele enorme casarão.
Diziam que naquela noite, um barulho assustador vinha do curral onde estavam alguns bois para engorda. Preocupados com a situação, foram até a janela da sala para ver o que estava acontecendo. Para espanto e terror de todos, viram uma senhora, com uma vela nas mãos em meio aquela tempestade. E o mais curioso, é que a vela que ela trazia nas mãos estava acesa.
Na manha seguinte verificaram que todos os animais que estavam lá, tiveram seus olhos perfurados cruelmente por aquela criatura.
A ocorrência foi registrada no distrito policial daquele município, onde o caso foi arquivado sem solução.

a morte bate na porta

Numa certa noite de interior, em meio a uma roda com fogueira, muito frio e histórias de horror, um certo garoto lança um desafio ao amigo. Faremos uma aposta, eu duvido que o Marcio entre no cemitério a meia noite???? Marcio então respondeu ao amigo:
- Aceito o desafio e não só entro como ainda trago algo para comprovar que estive lá. Então a meia noite ambos foram ao portão do cemitério, o amigo para ver com seus próprios olhos que Marcio entraria. Marcio entra, e o amigo assustado com a escuridão corre de volta para casa e fica lá com os amigos esperando o retorno de Marcio.
Marcio com muito medo, começa a ouvir passos e vozes, olha para traz e nada vê somente uma enorme escuridão, com muito medo, arranca logo uma cruz do cemitério e corre desesperado de volta para casa...... ao sair do cemitério ao longe escuta gritos de desespero.
Chegando em meio ao amigos, entra em casa sorridente e mostrando a todos sua coragem, com aquela cruz na mão, prova ao amigo que não tem medo de mortos. Os dois ficam rindo da aposta..... quando adentra em casa um dos amigos dizendo:
- Marcio, o João Alves está ai fora te procurando.... ele veio buscar algo dele que está com você.
Marcio olha desesperado para o amigo e diz: - Mas eu não conheço nenhum João Alves, e no mesmo instante os dois olham para a cruz e para espanto dos dois, na lápide havia o nome... "João Alves".

A pata do macaco

por W.W.Jacobs

Lá fora, a noite estava fria e úmida, mas na pequena sala de visitas de Labumum Villa os postigos estavam abaixados e o fogo queimava na lareira. Pai e filho jogavam xadrez: o primeiro tinha idéias sobre o jogo que envolviam mudanças radicais, colocando o rei em perigo tão desnecessário que até provocava comentários da velha senhora de cabelos brancos, que tricotava serenamente perto do fogo.- Ouça o vento - disse o Sr. White, que, tendo visto tarde demais um erro fatal, queria evitar que o filho o visse.- Estou escutando - disse o último, estudando o tabuleiro ao esticar a mão.- Xeque.- Eu duvido que ele venha hoje à noite - disse o pai, com a mão parada em cima do tabuleiro.- Mate - replicou o filho.- Essa é a desvantagem de se viver tão afastado - vociferou o Sr. White, com um a violência súbita e inesperada. - De todos os lugares desertos e lamacentos para se viver, este é o pior. O caminho é um atoleiro, e a estrada uma torrente. Não sei o que as pessoas têm na cabeça. Acho que, como só sobraram duas casas na estrada, elas acham que não faz mal.- Não se preocupe, querido - disse a esposa em tom apaziguador. - Talvez você ganhe a próxima partida.O Sr. White levantou os olhos bruscamente a tempo de perceber uma troca de olhares entre mãe e filho. As palavras morreram em seus lábios, e ele escondeu um sorriso de culpa atrás da barba fina e grisalha.- Aí vem ele - disse Herbert White, quando o portão bateu ruidosamente e passos pesados se aproximaram da porta.O velho levantou-se com uma pressa hospitaleira e, ao abrir a porta, foi ouvido cumprimentando o recém chegado. Este também o cumprimentou, e a Sra. White tossiu ligeiramente quando o marido entrou na sala, seguido por um homem alto e corpulento, com olhos pequenos e nariz vermelho.- Sargento Morris - disse ele, apresentando-o.O sargento apertou as mãos e, sentando-se no lugar que lhe ofereceram perto do fogo, observou satisfeito o anfitrião pegar uísque e copos, e colocar uma pequena chaleira de cobre no fogo.Depois do terceiro copo, seus olhos ficaram mais brilhantes, e ele começou a falar, o pequeno círculo familiar olhando com interessante este visitante de lugares distantes, quando ele empertigou os ombros largos na cadeira e falou de cenários selvagens e feitos intrépidos: de guerras, pragas e povos estranhos.- Vinte e um anos nessa vida - disse o Sr. White, olhando para a esposa e o filho. - Quando ele foi embora era um rapazinho no armazém. Agora olhem só para ele.- Ele não parece ter sofrido muitos reveses - disse a Sra. White amavelmente.- Eu gostaria de ir à Índia - disse o velho - só para conhecer, compreende?- Você está bem melhor aqui - disse o sargento, sacudindo a cabeça. Pôs o copo vazio na mesa e, suspirando baixinho, sacudiu a cabeça novamente.- Eu gostaria de ver aqueles velhos templos, os faquires e os nativos - disse o velho. - O que foi que você começou a me contar outro dia sobre uma pata de macaco ou algo assim Morris?- Nada - disse o soldado rapidamente. - Não é nada de importante.- Pata de macaco? - perguntou a Sra. White, curiosa.- Bem, é só um pouco do que se poderia chamar de magia, talvez - disse o sargento com falso ar distraído.Os três ouvintes debruçaram-se nas cadeiras interessados. O visitante levou o copo vazio à boca distraidamente e depois recolocou-o onde estava. O dono da casa tornou a enchê-lo.- Aparentemente - disse o sargento, mexendo no bolso - é só uma patinha comum dissecada.Tirou uma coisa do bolso e mostrou-a. A Sra. White recuou com uma careta, mas o filho, pegando-a, examinou-a com curiosidade.- E o que há de especial nela? - perguntou o Sr. White ao pegá-la da mão do filho e, depois de examiná-la, colocá-la sobre a mesa.- Foi encantada por um velho faquir - disse o sargento -, um homem muito santo. Ele queria provar que o destino regia a vida das pessoas, e que aqueles que interferissem nele seriam castigados. Fez um encantamento pelo qual três homens distintos poderiam fazer, cada um, três pedidos a ela.A maneira dele ao dizer isso foi tão solene que os ouvintes perceberam que suas risadas estavam um pouco fora de propósito.- Bem, por que não faz os seus três pedidos, senhor? - disse Herbert White astutamente.O soldado olhou para ele como olham as pessoas de meia-idade para um jovem presunçoso.- Eu fiz - disse ele calmamente, e seu rosto marcado empalideceu.- E teve mesmo os três desejos satisfeitos? - perguntou a Sra. White.- Tive - disse o sargento, e o copo bateu nos dentes fortes.- E alguém mais fez os pedidos? - insistiu a senhora.- O primeiro homem realizou os três desejos - foi a resposta. - Eu não sei quais foram os dois primeiros, mas o terceiro foi para morrer. Por isso é que consegui a pata.Seu tom de voz era tão grave que o grupo ficou em silêncio.- Se você conseguiu realizar os três desejos, ela não serve mais para você Morris - disse o velho finalmente. - Para que você guarda essa pata?O soldado meneou a cabeça.- Por capricho, suponho - disse lentamente. - Cheguei a pensar em vendê-la, mas acho que não o farei. Ela já causou muitas desgraças. Além disso, as pessoas não vão comprar. Acham que é um conto de fadas, algumas delas; e as que acreditam querem tentar primeiro para pagar depois.- Se você pudesse fazer mais três pedidos - disse o velho, olhando para ele atentamente -, você os faria?- Eu não sei - disse o outro. - Eu não sei.Pegou a pata e, balançando-a entre os dedos, de repente jogou-a no fogo.White, com um ligeiro grito, abaixou-se e tirou-a de lá.- É melhor deixar que ela se queime - disse o soldado solenemente.- Se você não quer mais, Morris - disse o outro -, me dá.- Não - disse o amigo obstinadamente. - Eu a joguei no fogo. Se você ficar com ela, não me culpe pelo que acontecer. Jogue isso no fogo outra vez, como um homem sensato.O outro sacudiu a cabeça e examinou sua nova aquisição atentamente.- Como você faz para pedir? - perguntou.- Segure a pata na mão direita e faça o pedido em voz alta - disse o sargento -, mas eu o advirto sobre as conseqüências.- Parece um conto das Mil e uma noites - disse a Sra. White, ao se levantar e começar a pôr o jantar na mesa. - Você não acha que deveria pedir quatro pares de mão para mim?- Se quer fazer um pedido - disse ele asperamente -, peça algo sensato. O Sr. White colocou a pata no bolso novamente e, arrumando as cadeiras acenou para que o amigo fosse para a mesa. Durante o jantar o talismã foi parcialmente esquecido, e depois os três ficaram escutando, fascinados, um segundo capítulo das aventuras do soldado na Índia.- Se a história sobre a pata de macaco não for mais verdadeira do que as que nos contou - disse Herbert, quando a porta se fechou atrás do convidado, que partiu a tempo de pegar o último trem-, nós não devemos dar muito crédito a ela.- Você deu alguma coisa a ele por ela, papai? - perguntou a Sra. White, olhando para o marido atentamente.- Pouca coisa - disse ele, corando ligeiramente. - Ele não queria aceitar, mas eu o fiz aceitar. E ele tornou a insistir que eu jogasse fora.- É claro - disse Herbert, fingindo estar horrorizado. - Ora, nós vamos ser ricos, famosos e felizes. Peça para ser um imperador, papai, para começar, então você não vai ser mais dominado pela mulher.Ele correu em volta da mesa, perseguido pela Sra. White armada com uma capa de poltrona.O Sr. White tirou a pata do bolso e olhou para ela dubiamente.- Eu não sei o que pedir, é um fato - disse lentamente. - Eu acho que tenho tudo o que quero.- Se você acabasse de pagar a casa ficaria bem feliz, não ficaria? - disse Herbert, com a mão no ombro dele. - Bem, peça 200 libras, então, isso dá.O pai, sorrindo envergonhado pela própria ingenuidade, segurou o talismã, quando o filho, com uma cara solene, um tanto franzida por uma piscadela de olhos para a mãe, sentou-se no piano e tocou alguns acordes para fazer fundo.- Eu desejo 200 libras - disse o velho distintamente.Um rangido do piano seguiu-se às palavras, interrompido por um grito estridente do velho. A mulher e o filho correram até ele.- Ela se mexeu - gritou ele, com um olhar de nojo para o objeto caído no chão. - Quando eu fiz o pedido, ela se contorceu na minha mão como uma cobra.- Bem, eu não vejo o dinheiro - disse o filho ao pegá-la e colocá-la em cima da mesa - e aposto que nunca vou ver.- Deve ter sido imaginação sua, papai - disse a esposa, olhando para ele ansiosamente.Ele sacudiu a cabeça.- Não faz mal, não aconteceu nada, mas a coisa me deu um susto assim mesmo.Eles se sentaram perto do fogo novamente enquanto os dois homens acabavam de fumar cachimbos. Lá fora, o vento zunia mais do que nunca, e o velho teve um sobressalto com o barulho de uma porta batendo no andar de cima. Um silêncio estranho e opressivo abateu-se sobre todos os três, e perdurou até o velho casal se levantar e ir dormir.- Eu espero que vocês encontrem o dinheiro dentro de um grande saco no meio da cama - disse Herbert, ao lhes desejar boa noite - e algo terrível agachado em cima do armário observando vocês guardarem seu dinheiro maldito.Ficou sentado sozinho na escuridão, olhando para o fogo baixo e vendo caras nele. A última cara foi tão feia e tão simiesca que ele olhou para ela assombrado. A cara ficou tão vivida que, com uma risada inquieta, ele procurou um copo na mesa que tivesse um pouco de água para jogar no fogo. Sua mão pegou na pata de macaco, e com um ligeiro estremecimento ele limpou a mão no casaco e foi dormir.IINa claridade do sol de inverno, na manhã seguinte, quando este banhou a mesa do café, ele riu de seus temores. Havia um ar de naturalidade na sala que não existia na noite anterior, e a pequena pata suja estava jogada na mesa de canto com um descuido que não atribuia grande crença a suas virtudes.- Eu creio que todos os velhos soldados são iguais - disse a Sra. White. - Essa idéia de dar ouvidos a tal tolice! Como é que se pode realizar desejos hoje em dia? E se fosse possível, como é que iam aparecer 200 libras, papai?- caindo do céu, talvez - disse Herbert, com ar brincalhão.- Morris disse que as coisas aconteciam com tanta naturalidade - disse o pai - que a gente podia até achar que era coincidência.- Bem, não gaste o dinheiro antes de eu voltar - disse Herbert, ao se levantar da mesa. - Estou com medo de que você se torne um homem mesquinho e avarento, e vamos ter de renegá-lo.A mãe riu e, acompanhando-o até a porta, viu-o descer a rua. Voltando à mesa do café, divertiu-se à custa da credulidade do marido. O que não a impediu de correr até a porta com a batida do carteiro, nem de se referir a sargentos da reserva com vício de beber, quando descobriu que o correio trouxera uma conta do alfaiate.- Herbert vai dizer uma das suas gracinhas quando chegar em casa - disse ela, quando se sentaram para jantar.- Com certeza - disse o Sr. White, servindo-se de cerveja -, mas, apesar de tudo, a coisa se mexeu na minha mão; eu posso jurar.- Foi impressão - disse a senhora apaziguadoramente.- Estou dizendo que se mexeu - replicou o outro. - Não há dúvida; eu tinha acabado... O que houve?A mulher não respondeu. Estava observando os movimentos misteriosos de um homem do lado de fora, que, espiando com indecisão para a casa, parecia estar tentando tomar a decisão de entrar. Lembrando-se das 200 libras, ela reparou que o estranho estava bem-vestido e usava um chapéu de seda novo. Por três vezes ele parou no portão, e depois caminhou novamente. Da quarta vez ficou com a mão parada sobre ele, e depois com uma súbita resolução abriu-o e entrou. A Sra. White no mesmo momento desamarrou o avental rapidamente, colocando-o debaixo da almofada da cadeira. Convidou o estranho, que parecia deslocado, a entrar. Ele olhou para ela furtivamente, e ouviu preocupado, a senhora desculpar-se pela aparência da sala, e pelo casaco do marido, uma roupa que ele geralmente reservava para o jardim. Então ela esperou, com paciência, que ele falasse do que se tratava, mas, a princípio, ele ficou estranhamente calado.- Eu... pediram-me para vir aqui - disse ele finalmente, e abaixando-se tirou um pedaço de algodão das calças. - Eu venho representando "Maw&Meggins".A senhora sobressaltou-se.- Aconteceu alguma coisa? - perguntou ela, ofegante - Acontecem alguma coisa a Herbert? O que é? O que é?O marido interveio.- Calma, calma, mamãe - disse ele rapidamente. - Sente-se e não tire conclusões precipitadas. O senhor certamente não trouxe más notícias, não é, senhor - e olhou para o outro ansiosamente.- Eu lamento... - começou o visitante.- Ele está ferido? - perguntou a mãe desesperada.O visitante assentiu com a cabeça.- Muito ferido - disse. - Mas não está sofrendo.- Ah, graças a Deus! - disse a senhora, apertando as mãos. - Graças a Deus! Graças...Parou de falar de repente quando o significado sinistro da afirmativa se abateu sobre ela, e ela viu a terrível confirmação de seus temores no rosto desviado do outro. Prendeu a respiração e, virando-se para o marido, menos perspicaz, pôs a mão trêmula sobre a dele. Seguiu-se um demorado silêncio.- Ele foi apanhado pela máquina - repetiu o Sr. White, estonteado. - Ah! Sim.Ficou sentado olhando para a janela e, tomando a mão da esposa entra as suas, apertou-a como tinha vontade de fazer nos velhos tempos de namoro há quase 40 anos.- Ele era o único que nos restava - disse ele, voltando-se amavelmente para o visitante. - É difícil.O outro tossiu e, levantando-se, caminhou lentamente até a janela.- A firma me pediu para transmitir os nossos sinceros pêsames a vocês por sua grande perda - disse ele, sem olhar para trás. - Eu peço que compreendam que sou apenas um empregado da firma e estou apenas obedecendo ordens.Não houve resposta; o rosto da senhora estava branco, os olhos parados e a respiração inaudível; no rosto do marido havia um olhar que o amigo sargento talvez tivesse na primeira batalha.- Devo dizer que "Maw&Meggins" estão isentos de toda responsabilidade - continuou o outro. - Eles não têm nenhuma dívida com a família, mas, em consideração aos serviços de seu filho, desejam presenteá-los com uma certa soma como compensação.O Sr. White largou a mão da esposa e, pondo-se de pé, olhou para o visitante horrorizado. Seus lábios secos pronunciaram as palavras:- Quanto?- Duzentas libras - foi a resposta.Indiferente ao grito da esposa, o velho sorriu fracamente, estendeu as mãos como um homem cego e caiu, desfalecido, no chão.IIINo enorme cemitério novo, a alguns quilômetros de distância, os velhos enterraram seu morto e voltaram para casa mergulhada em sombras e silêncio. Tudo terminara tão rápido que a princípio nem se davam conta do que acontecera, e ficaram num estado de expectativa como se fosse acontecer mais alguma coisa - algo mais que aliviasse esse fardo, pesado demais para corações velhos.Mas os dias se passaram, e a expectativa deu lugar à resignação - a resignação desesperançada dos velhos, às vezes chamada erradamente de apatia. Algumas vezes nem trocavam uma palavra, pois agora não tinham nada do que falar e os dias eram compridos e desanimados.Foi por volta de uma semana depois que o velho, acordando subitamente de noite, estendeu o braço e viu-se sozinho. O quarto estava no escuro e o ruído de soluços baixinhos vinha da janela. Ele se levantou na cama e ficou ouvindo.- Volte para a cama - disse ele ternamente. - Você vai ficar gelada.- Está mais frio para ele - disse a senhora, e chorou novamente.O som de seus soluços apagou-se nos ouvidos dele. A cama estava quente, e seus olhos pesados de sono. Ele cochilava a todo instante e acabou pegando no sono, quando um súbito grito histérico da esposa o despertou com um sobressalto.- A pata! - gritou histericamente. - A pata de macaco!Ele se levantou, alarmado.- Onde? Onde está? O que houve?Ela correu agitada até ele.- Eu quero a pata - disse ela calmamente. - Você não a destruiu?- Está na sala, em cima da prateleira - replicou ele atônito. - Por quê?Ela chorou e riu ao mesmo tempo e, debruçando-se, beijou-o no rosto.- Só tive essa idéia agora - disse ela histericamente. - Por que não pensei nisso antes? Por que você não pensou nisso antes?- Pensar em quê? - perguntou ele.- Nos outros dois desejos - replicou ela rapidamente. - Nós só fizemos um pedido.- Não foi suficiente? - perguntou ele, irado.- Não - gritou ela, triunfante; - ainda vamos fazer um.Desça, apanhe a pata rapidamente, e deseje que o nosso filho viva novamente.O homem sentou-se na cama e arrancou as cobertas de cima do corpo trêmulo.- Meu bom Deus, você está louca! Gritou ele, horrorizado.- Pegue aquela coisa - disse ela, ofegante -, pegue depressa, e faça o pedido... Ah, meu filho, meu filho!O Marido riscou um fósforo e acendeu a vela.- Volte para a cama - disse ele, incerto. - Você não sabe o que está dizendo.- Nós conseguimos satisfazer o primeiro pedido - disse a senhora, febrilmente. - Por que não o segundo?- Foi uma coincidência - gaguejou o velho.- Vá buscar a pata e faça o pedido - gritou a esposa, tremendo de excitação.O velho virou-se, olhou para ela, e sua voz tremeu.- Ele já está morto há 10 dias e, além disso, ele... - eu não queria lhe dizer isso, mas... só consegui reconhecê-lo pela roupa. Se já estava tão horrível para você ver, imagine agora?- Traga-o de volta - gritou a senhora, e o arrastou para a porta. - Você acha que tenho medo do filho que criei?Ele desceu na escuridão, foi tateando até a sala e depois até a lareira. O talismã estava no lugar, e um medo horrível de que o desejo ainda não expresso pudesse trazer o filho mutilado apossou-se dele, e ficou sem ar ao perceber que perdera a direção da porta. Com a testa fria de suor, ele deu volta na mesa, tateando, e foi-se amparando na parede até se achar no corredor com a coisa nociva na mão.Até o rosto da esposa parecia mudado quando ele entrou no quarto. Estava branco e ansioso, e para seu temor parecia ter um olhar estranho. Ele sentiu medo dela.- Peça! - gritou ela, com voz forte.- Isso é loucura - disse ele, com voz trêmula.- Peça! - repetiu a esposa.Ele levantou a mão.- Eu desejo que meu filho viva novamente.O talismã caiu no chão, e ele olhou para a coisa com medo.Então afundou numa cadeira, trêmulo, quando a esposa, com os olhos ardentes, foi até a janela e levantou a persiana.Ficou sentado até ficar arrepiado de frio, olhando ocasionalmente para a figura da velha senhora espiando pela janela.O cotoco de vela, que queimara até a beirada do castiçal de porcelana, jogava sombras sobre o teto e as paredes, até que, com um bruxulear maior do que os outros, se apagou. O velho, com uma imensa sensação de alívio pelo fracasso do talismã, voltou para a cama, e um ou dois minutos depois a senhora veio silenciosamente para o seu lado.Nenhum dos dois disse nada, mas permaneceram deitados em silêncio, ouvindo o tique-taque do relógio. Um degrau rangeu, e um rato correu guinchando através do muro. A escuridão era opressiva e, depois de ficar deitado por algum tempo, criando coragem, ele pegou a caixa de fósforos e, acendendo um, foi até embaixo para pegar uma vela.Nos pés da escada o fósforo se apagou, e ele parou para riscar outro; no mesmo momento ouviu-se uma batida na porta da frente, tão baixa e furtiva que quase não se fazia ouvir.Os fósforos caíram-lhe da mão e espalharam-se no corredor. Ele permaneceu imóvel, com a respiração presa até a batida se repetir. Então virou-se e fugiu rapidamente para o quarto, fechando a porta atrás de si.Uma terceira batida ressoou pela casa.- O que é isso? - gritou a senhora, levantando-se.- Um rato - disse o velho com voz trêmula -, um rato. Ele passou por mim na escada.A esposa sentou-se na cama, escutando. Uma batida alta ressoou pela casa.- É Herbert! - gritou. - É Herbert!Ela correu até a porta, mas o marido ficou na frente dela e, pegando-a pelo braço, segurou-a com força.- O que você vai fazer? - sussurrou ele com voz rouca.- É meu filho; é Herbert! - gritou ela, debatendo-se mecanicamente. - Eu esqueci que ele estava a 10 quilômetros daqui. Por que está me segurando? Me solte. Eu tenho de abrir a porta.- Pelo amor de Deus não deixe entrar - gritou o velho tremendo.- Você está com medo do próprio filho - gritou ela, debatendo-se. - Me solte. Eu já vou, Herbert; eu já vou.Ouviu-se mais uma batida, e mais outra. A senhora com um arrancão súbito soltou-se e saiu correndo do quarto. O marido seguiu-a até a escada e chamou-a enquanto ela corria para baixo. Ele ouviu a corrente chocalhar e a tranca do chão ser puxada lenta e firmemente do lugar. Então a voz da senhora soou, nervosa e ofegante.- A tranca - gritou ela alto. - Desça que eu não consigo puxar a tranca.Mas o marido estava de joelhos no chão, procurando a pata desesperadamente. Se pelo menos conseguisse encontrá-la antes que a coisa entrasse. Uma série de batidas reverberou pela casa, e ele ouviu o arrastar de uma cadeira quando a esposa a colocou no corredor encostada na porta. Ouviu o ranger da tranca quando esta se destravou lentamente, e no mesmo momento encontrou a pata de macaco, e desesperadamente fez o terceiro e último pedido.As batidas pararam subitamente, embora ainda ecoassem na casa. Ele ouviu a cadeira ser arrastada de volta, e a porta se abrir. Um vento frio subiu pela escada, e um gemido alto e demorado de decepção e tristeza da esposa lhe deu coragem para correr até ela e depois até o portão. O lampião da rua que tremulava do outro lado brilhava numa estrada silenciosa e deserta.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

os portões

Escondido atrás da igreja ele observava a chuva cair em redemoinhos pelos portões, escorrendo através das grades, enquanto esperava. Na noite tremeluzente, a procissão, com seus antigos fiéis, seguidores cegos, passava na estrada a beira de sua velha casa que ficava nos fundos da igreja. Eles não entrariam, ele sabia que ninguém além de Lorena entraria na casa. Mas escondido ali, ele já não era mais um homem, desde que se deixou dominar por sua ignorância, desde o dia em que os militares invadiram aquela pequena igreja acusando o pastor, brasileiro, de esconder os colonos alemães e italianos, ele descobriu que não eram colonos que o governo procurava. Algo mais atormentava as autoridades daquele vilarejo em construção, e não era apenas a guerra, era algo que surgia pelos portões, algo que talvez o pastor soubesse, já que sua casa, sua igreja ficavam a beira do cemitério.

Assim que a procissão passou, ele viu uma mulher e uma criança correndo pela grama com um guarda-chuva velho, em direção à casa ao lado da igreja, foi no mesmo momento em que ele se sentiu sufocado por cada instinto seu, talvez avivado pelas lembranças de sua antiga vida, ou talvez porque outro abria os portões, aproximando-se. As grades rangeram num som estridente, ao ouvi-las, Lorena parou no gramado que dividia a propriedade da estrada de chão. A jovem de cabelos negros e muito cacheados, temeu que pudesse ser mais uma vez aqueles homens cuja pessoas de sua cor não lhe agradavam, mas quando olhou as gotas de chuva caindo feito estrelas, e a imagem que as nuvens escondiam, seu coração apertou sufocado no peito. Ela segurou mais firme a mão de seu filho, Lucas se agarrou às saias da mãe e choramingou baixinho. Os dois correram quase tropeçando nos próprios pés, quando os cães começaram a ladrar intensamente. Ainda escondido e apreensivo, Pedro olhou para os portões do cemitério que se abriam devagar, enquanto sua pele se arrepiava, achou que seu coração fosse saltar do peito, e seus olhos queimarem, ele sabia o que poderia estar abrindo os portões, ele ainda não fora forte o suficiente para lidar com aquilo, mas agora que via a mulher e o filho a beira dos portões que se abriram ele não pode mais controlar-se, mas antes o demônio tivesse terminado de possuir seu corpo ele ouviu outro rugido e os cães grunhirem de medo, quando a fera saiu dos portões correndo até o gramado. Num lapso, Pedro já não era mais o pastor refugiado e sim a besta que atormentava o vilarejo nas noites difusas.
Suas patas enormes bateram no chão em frente a outra fera que agora ameaçava sua prole. Lucas e Lorena gritaram agarrados um ao outro ao se verem cercados por duas enormes criaturas que se batiam, mordiam, uivavam, arranhavam-se, até que uma, ela não sabia dizer qual, se a que surgiu por detrás da igreja ou a que saíra dos portões, fugiu chorando feito um filhote, enquanto a outra caiu no chão, ferida, mas ainda forte para uivar. Quando segurou Lucas para entrarem, parou diante da fera que se desfazia. Um homem nu, frágil e corrompido sangrava a beira da morte. Ela olhou de novo, soltou o filho no chão e abraçou pela ultima vez o marido perdido.



Escrito por Sofia Geboorte

dormir sem beber água....

Era uma vez um garoto, o nome dele é Jorge. Toda noite sua mãe lhe contava histórias de um garoto que morava no sertão da mesma idade que Jorge. era assim: o menino ia dormir e não bebeu água, aí a alma ficou com sede, depois quando a alma foi levantar pra beber água no poço, a alma caiu lá dentro e o menino morreu. Mas Jorge se achava esperto, ele dizia a sua mãe que isso nunca ia acontecer porque na casa dele tinha geladeira, aí outro dia desses, jorge foi dormir sem beber água, aí a alma dele foi levantar pra beber e acabou trancada acidentalmente na geladeira... Jorge morreu sem alma aí os pais dele ficaram loucos, e os amigos dele entraram em depressão e viveram eternamente num hospício.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

espiritos

Uma senhora esta sozinha em seu apartamento.Seu cachorro se acomoda no tapete ao lado da cama,quando a dona vai dormir.No meio da noite,estranhos barulhos a acordam,ela fica assustada,estica o braço a procura do cachorro,e tem sua mão lambida.De certa forma,isso a tranquiliza.Ela volta a dormir.Na manhã seguinte,ela encontra o cachorro,morto,perndurado no chuveiro e no lugar onde eles estava no tapete,estava um recado : espiritos também sabem lamber.

lua cheia

O homem do carro da frente olhou para o retrovisor e viu que Wolf estava aterrorizado. O seu semblante era puro pânico. Wolf acabara de sair de seu velho Astra azul-marinho e agora vasculhava o céu com um olhar de urgência. O plenilúnio estava prestes a ocorrer.
– Como fui imprudente! Como pude me esquecer que hoje é véspera de feriado? – exasperado, Wolf gritou, como se fosse um insano. Uma longa fila de carros não saía do lugar há mais de quarenta minutos e Wolf agora tinha certeza de que não iria conseguir.
Há muitos anos, Lupus Wolf comprara um apartamento na periferia da cidade, bem distante da confortável casa onde montara residência. Mas somente utilizava “a Fortaleza” cada vinte e nove dias. Deveria estar nela, agora. Deveria estar trancado no quarto de segurança, aguardando a dolorosa transformação imposta pelos humores nefandos da Lua. O quarto pequeno e sem janelas custara uma fortuna. Possuía isolamento acústico e as paredes eram revestidas por uma generosa camada de concreto pintada de preto. Mas o mais caro – e que quase levou o advogado à bancarrota – fora a porta de segurança, de ferro maciço, e que só se abria na hora programada, tal qual um cofre de agência bancária. Era no quarto de segurança que Wolf se refugiava nas noites de lua plena. Era lá que deveria estar, irremediavelmente preso, sem possibilidade de fuga, até o amanhecer. Até que a fera medonha em que se converteria voltasse à forma humana. Mas não estava. Encontrava-se retido no maldito engarrafamento de Ano Novo. Sim, como fora imprudente!
Wolf voltou para o Astra e ligou a ignição. Havia espaço suficiente para uma rápida manobra. Em poucos segundos, o carro estava no acostamento. Muitos viram quando Wolf tirou o paletó e se embrenhou, cambaleante, no bosque lateral.
– Eis um completo maluco – disse o homem do carro da frente. Mas Lupus Wolf sequer ouviu o comentário.
A transformação veio quando Wolf tentava amarrar-se, com o cinturão, a um arbusto. Ele sabia, perfeitamente, que aquilo não deteria a coisa. Mas sentia, a bem da própria consciência, a necessidade de fazer alguma coisa. Quando a Lua atingiu o ápice, e disseminou, no firmamento, o seu fluxo peçonhento, Wolf emitiu um ganido sinistro, mouco aos ouvidos humanos. Todavia, neste momento, todos os cães das redondezas, com os olhos esgazeados torcidos para a Lua, puseram-se a ladrar e a uivar, de angústia e de terror.
Somente a Lua foi testemunha da coisa terrível em que Lupus Wolf se converteu.
Madrugada.
O velho Rabit saiu da cabana, erigida numa clareira à margem do riacho que serpenteava o bosque de ciprestes e coníferas, para fumar um cigarrinho e observar a Lua cheia.
Sempre fazia isso.
Naquela noite, a Lua estava especialmente inflada. Irradiava uma luminosidade intensa e bela. Mas o velho Habit estava apreensivo. Havia algo de estranho pairando no ar da noite. Embora saturada pelo perfume dos eucaliptos, a atmosfera prateada deixava exalar um suave e quase imperceptível olor de miasma. Rabit surpreendeu-se ao sentir um calafrio inundar o seu corpo. Uma vertigem insinuava-se naquele calafrio. Algo terrivelmente ruim estava por acontecer, ele ponderou. Da mata, vieram estranhos ruídos, como os uivos caninos e o farfalhar de asas medonhas.
Rabit viu que uma nuvem negra fizera a lua desaparecer. Forçou a vista cansada. A nuvem crescia? Parecia-lhe que sim. Não só crescia como ganhava um contorno aterrador. Crescia e se aproximava. Crescia e cada vez mais assumia a forma de um gigante m…
Rabit caiu.
Do alto, a coisa sentiu o cheiro de sangue humano. O cheiro do líquido viscoso e bom. Bom e refrescante. Então, emitiu um grito. Com o sonar em alerta, facilmente localizou a presa. Encetou, pois, um vôo rasante. Próximo ao solo, o imenso animal, inclinando-se para trás, recolheu as negras asas membranosas, e pôs em riste as garras pés. A presa foi ao chão com o abdome completamente dilacerado.
O ancião tentou reerguer-se, mas era tarde. A coisa – que lhe pareceu um enorme morcego vampiro – mergulhou-lhe na goela as fileiras de dentes afiados e pôs-se a sorver furiosamente.
À medida que sugava, o vampiro, curvado sobre o corpo inerte do ancião, batia as asas incomensuráveis num ritmo convulso, em perfeita harmonia com os estertores da vítima, do velho homem que a coisa mantinha agulhada ao solo pelas garras dos pés, longas e aquilinas. Mas, quando terminou, o vampiro sentiu que já não tinha fuças. Os dentes aguçados, que há pouco laceravam e corrompiam, despregaram-se da goela do homem, numa retração súbita e dolorosa. Nauseado, tomado de surpresa e horror, Lupus Wolf recolheu, instantaneamente, os lábios que descansavam sobre o pescoço de Rabit, o velho eremita do bosque. E, enternecido, com os lábios repletos de sangue e o coração afogado no remorso, o homem mergulhou na floresta, rumo à rodovia, sob o jugo do enorme asco que de si mesmo sentia.

No céu, a Lua cheia se punha.

feliz porque não apagou a luz

Em uma noite escura, duas amigas dividiam um quarto de apartamento, uma estudiosa e a outra bagunceira. Nesta noite a mais bagunceira iria sair para uma festa e chamou a mais estudiosa e ela respondeu:
-Não posso ir, tenho que estudar para a prova do semestre que será amanhã.
A sua amiga saiu e deixou ela sozinha, no caminho lembrou-se que esqueceu o celular no quarto e quando chegou lá não queria acender a luz para a amiga dela não perder a concentração então depois que pegou o celular foi embora.
Ao chegar em casa, acendeu a luz e sua amiga não estava mais estudando,então pensou que ela estava dormindo e ao chegar no quarto viu a sua amiga com um buraco na barriga com todos seus órgãos arrancados e na parede do quarto estava escrito: “feliz porque não apagou a luz” , e quando ela terminou de ler aquilo alguma coisa avançou por cima dela e a matou.

a maldição das flores

Reza a lenda que no ano de 1925 aviaram uma bela jovem chamada Raquele. Ela foi criada pelo pai que era um rico fazendeiro, um dia passou em sua porta uma garotinha, pálida, vestida em um vestido preto comprido, a garotinha deu a Raquele uma flor morta, Raquele não entendeu mas guardou a flor, no dia seguinte seu pai achou Raquele morta com os pulsos cortados, na noite seguinte seu pai ainda tonto pela morte da filha achou a flor e guardo, passou-se 2 dias e ninguém tinha noticias do fazendeiro, foram até a fazenda e acharam o fazendeiro morto, enforcado, no chão a flor,uma velha senhora que morava aos aredores pegou a flor e perguntou aos empregados quem a havia dado,os empregados falaram que foi uma garotinha que deu para Raquele no dia em que ela morreu, a velha então falou que a meninha era um demônio.
A partir desse dia, a fazenda foi fechada por que disseram que estava amaldiçoada…

perfume

Essa lenda aconteceu no interior de São Paulo. Dizem que uma garota de seis anos, que adorava usar os perfumes da irmã mais velha escondido, sempre ia passear no jardim nos fundos da casa. Algum tempo depois, não se sabe por que essa garotinha ficou muito doente e foi encontrada morta no jardim da casa. A família se mudou. E qualquer pessoa que vai morar na casa diz sentir um perfume delicado num dos quartos e vê pela janela, que dá para o jardim, uma garotinha escondida atrás de uma roseira. E dizem também que os perfumes desaparecem ou os vidros ficam vazios.

Raio

Dizem que cada vez que vemos a luz de um raio,devemos começar a contar os segundos,até ouvrimos o barulho,para sabermos onde eles cairam.Eu fazia isso.O problema,é que eu não ouço mais isso.Agora,eu absorvo a energia deles.E quando isso acontece,eu posso fazer qualquer coisa.Até mesmo matar.Descobri que podia fazer isso,quando completei quinze anos.Foi assim,eu estava em casa,observando a chuva cair na janela,e então eu vi um raio muito forte,com a luz mais brilhante.Acho que ele permaneceu no céu por um ou dois minutos.Nunca ouvi o barulho.Perguntei à minha mãe,e ela disse que nunca viu um raio desses,e que eu estava ficando louca.A partir dai,comecei a absorver a energia deles.Já consegui voar,matar,ler pensamentos,e todo tipo de coisa estranha.Pesquisei durante anos,e nunca achei nada sobre isso.O pior de tudo isso é que ganhei um novo vicio.A morte.Gosto de matar as pessoas,e vê-las sofrendo durante horas,as vezes durante dias.Se você não acredita,espere um raio cair perto de sua casa,e leia esta história novamente.Olhe pela janela,e veja o que acontece.Mas,se não quiser morrer...Ah!Tarde de mais.Se você tiver medo,eu te mato agora mesmo.De qualquer jeito você morre.Então,fique de olho no raio.